O volume total de repasses, segundo o ex-banqueiro, chegava a R$ 3 milhões por mês. Além da mesada em espécie, o grupo do senador — que já foi líder do governo Lula no Senado — teria recebido vantagens adicionais por meio de distribuição de lucros e dividendos e de contratos fictícios elaborados por Vorcaro para pessoas indicadas por Wagner. Entre os beneficiários estaria a filha do parlamentar, por meio de uma empresa offshore.
Privatização do Credcesta e suposta participação oculta do senador
A privatização do Credcesta ocorreu em 2018, período em que Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico da Bahia. De acordo com os termos da proposta de delação, o senador teria atuado de forma oculta na operação, com o objetivo de direcionar a licitação para uma empresa pertencente a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
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Entrar no grupo Vorcaro, porém, admitiu à PF que não presenciou pessoalmente o acerto. As informações que embasaram seu relato teriam sido repassadas diretamente por Augusto Lima.
Operação Compliance Zero e desdobramentos
O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho deste ano, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero. A investigação indica que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas, de forma direta ou indireta, oriundas do Banco Master.
Augusto Lima também foi alvo da mesma operação. O empresário chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado e permaneceu detido por 11 dias. Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou sua soltura, mas ele segue sob monitoramento com tornozeleira eletrônica. Desde então, dois depoimentos do empresário foram desmarcados a pedido de sua defesa, que alega nunca ter tido acesso aos autos do processo.
PF e PGR rejeitaram a delação por falta de provas
A proposta de colaboração apresentada pelo dono do Banco Master foi recusada tanto pela PF quanto pela PGR. A justificativa foi a de que não foram apresentados elementos suficientes de corroboração para sustentar os relatos.
Defesa de Jaques Wagner nega todas as acusações
Em nota, a defesa de Jaques Wagner classificou as declarações como “falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições” e afirmou que o senador não tem conhecimento sobre contratos “fictícios da PKL One e nunca teve nenhuma relação com essa empresa”.
“Além disso, a mentira vem de uma pessoa que está presa, criando factoides na tentativa de ter de volta a sua liberdade. Vale reforçar, ainda, que o senador nunca teve qualquer vínculo com Daniel Vorcaro, nunca atuou em favor das pautas do Banco Master no Congresso Nacional e sempre votou contra os interesses do banco”, afirma a nota.
A CNN tentou contato com a defesa de Augusto Lima, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto.