As autoridades classificam a atuação de Deolane dentro do chamado estágio de “integração” — considerado a fase mais avançada da lavagem de dinheiro. Nessa etapa, valores de origem criminosa são reinseridos na economia formal de maneira a dificultar qualquer rastreamento. A influenciadora teria emprestado sua “estrutura empresarial” e sua “aparente respeitabilidade social” para viabilizar esse processo.
Celular apreendido revelou depósitos diretos para Deolane
Um dos elementos que reforçaram as suspeitas partiu de um celular apreendido com os donos de uma empresa de transportes considerada de “fachada”. No aparelho, os investigadores encontraram comprovantes de depósitos feitos diretamente em duas contas pertencentes a Deolane. Conforme os inquéritos que embasaram a ação policial, esses repasses ocorreram em um contexto de “fechamento de contas” do PCC, e não como pagamento por serviços advocatícios legais.
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Entrar no grupo A investigação também aponta incompatibilidade patrimonial significativa entre os bens de Deolane e sua renda declarada. Antes da prisão, a influenciadora chegou a ser incluída na lista da Interpol.
Vínculo com empresa de fachada e operador financeiro do PCC
Segundo um dos inquéritos, a influenciadora mantinha vínculos estreitos e negociais com os gestores da empresa de transportes usada como fachada. Além disso, registros policiais indicam que Deolane atuou como representante legal ou testemunha de Everton de Souza, conhecido como “Player”, identificado como o operador financeiro responsável por orientar os depósitos nas contas da advogada.
Conexão direta com a família de Marcola
A Operação Vérnix não mira apenas Deolane. A ação também alcança a família de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. As investigações revelam que o esquema operava em duas frentes distintas:
- Núcleo familiar: Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, é identificada como a responsável por realizar visitas na prisão e repassar ordens aos gestores financeiros que atuavam fora do sistema penitenciário.
- Núcleo financeiro: este seria o braço em que Deolane operava, conferindo aparência de licitude aos valores por meio de suas próprias contas e empresas.
As apurações indicam que a proximidade entre os envolvidos ia além do plano criminal. Deolane e Paloma teriam morado em casas próximas, no mesmo bairro, evidenciando uma relação pessoal e física entre as investigadas.
Promotor responsável pelo caso é “jurado” pelo PCC
Outro dado relevante é que o promotor que conduz a investigação contra Deolane Bezerra foi “jurado” pelo PCC, o que demonstra o grau de sensibilidade e risco envolvido no caso. A ligação direta da influenciadora com a facção foi apontada pelo próprio Gaeco.
Irmã de Deolane denuncia perseguição e se manifesta nas redes sociais
Pelas redes sociais, a advogada Daniele Bezerra, irmã da influenciadora, classificou a nova prisão como perseguição. Confira a nota na íntegra:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.