“Sabendo que muitas coisas estranhas ainda vão acontecer, mas que o mundo vai saber o que Flávio Dino de Castro e Costa está fazendo aqui no Maranhão. A comissão julgou vários casos na Venezuela de supressão de direitos e condenou a Venezuela em várias situações. A comissão há de levar para a corte, como fez na Venezuela, e levar da mesma forma a condenação desse estado de coisas inconstitucionais e antirregimentais que existem no Maranhão, no Brasil”, disse o parlamentar.
“Não podemos aceitar que o Maranhão seja a Venezuela do Brasil, onde um homem apenas, com poder único, apenas ele tenta criar uma situação onde nenhum mandato é respeitado, onde não é provido a qualquer direito sua segurança por mero arbítrio, Rogério, por mero capricho”, declarou.
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Entrar no grupo Yglésio também afirmou que a questão transcende disputas locais e envolve pactos internacionais. “Uma situação como essa, ela não permite sigilo nos autos, porque nós estamos tratando de uma coisa que viola pactos internacionais. A vítima aqui não é o Brandão, não foi o Bolsonaro, não é o Yglésio que um dia, com certeza, ele vem atrás e pode vir, venha, estou lhe esperando. Isso aqui são os direitos humanos”, declarou ele.
Caso de homicídio e o afastamento de Daniel Brandão
A principal controvérsia citada pelo deputado envolve a atuação de Dino na investigação de um caso de assassinato que menciona o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). O ministro do STF determinou o afastamento de Daniel Brandão ao avaliar que o integrante da Corte de Contas teria participado de um plano para encobrir o crime.
Polícia Federal aponta governador como “provável líder” de organização criminosa
A Polícia Federal (PF) foi além e identificou o governador do Maranhão, Carlos Brandão, como “provável líder” de uma organização criminosa ligada ao caso. Segundo os investigadores, o homicídio teria ocorrido no contexto de um esquema que envolvia pagamento de valores indevidos com recursos públicos.
A investigação aponta que Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado posteriormente pelo assassinato, teria exercido função operacional dentro do esquema e mantido interlocução direta tanto com Daniel Brandão quanto com o próprio governador Carlos Brandão. A PF o descreve como provável líder da organização investigada.
Conforme os investigadores, uma rede de operadores e intermediários passou a atuar para proteger os integrantes mais importantes do grupo e dificultar a vinculação deles aos crimes sob apuração da Polícia Federal.
Reunião que antecedeu os disparos
A PF sustenta que Daniel Brandão esteve presente na reunião que precedeu os disparos fatais contra João Bosco. De acordo com o relato de Gilbson Júnior, Daniel teria sido o responsável por convocar o encontro, realizado em 19 de agosto de 2022, do qual também participaram João Bosco e Werberth Macedo Castro.
A discussão, segundo a PF, girou em torno da divisão de valores oriundos de pagamentos supostamente ilícitos. Daniel permaneceu no local durante parte da reunião e deixou o ambiente pouco antes dos tiros. Para a Polícia Federal, essa informação não foi adequadamente explorada pela Polícia Civil maranhense durante a investigação original.
Como o caso chegou ao STF
O processo foi parar nas mãos de Dino após tramitar pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Menções ao senador Weverton Rocha (PDT), que supostamente teria agido para encobrir o caso, motivaram a transferência ao Supremo.
Um dos pontos centrais ressaltados por Dino é justamente a suspeita de que a investigação original do homicídio tenha sido conduzida de forma a excluir personagens relevantes e a ocultar o contexto político e financeiro que teria antecedido a morte de João Bosco.