Contratação na campanha e permanência durante o mandato
De acordo com a petição inicial, obtida com exclusividade pelo O Antagonista, Cristiano foi contratado em agosto de 2022 para atuar como motorista durante a campanha eleitoral de Kiko Celeguim. Ele permaneceu exercendo a função até janeiro de 2025, já no período do mandato parlamentar do deputado petista.
O ex-funcionário relata que recebia 3,8 mil reais mensais, pagos em dinheiro, e que jamais teve a carteira de trabalho assinada. Além disso, afirma que cumpria expediente das 6h às 22h, de segunda a segunda, sem sequer ter intervalo para almoço.
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Entrar no grupo Motorista era usado para serviços pessoais da família
A rotina descrita no processo ultrapassava as agendas políticas do deputado pelo interior paulista. Cristiano afirma que também prestava serviços particulares à família de Celeguim, transportando a esposa, os filhos e a empregada doméstica. “Por incrível que possa parecer, o reclamante ia até mesmo levar os cachorros do deputado ao petshop”, registra a petição.
O que o motorista reivindica na Justiça
Na ação, Cristiano Teles de Oliveira pede o reconhecimento do vínculo empregatício e o pagamento de uma série de direitos: aviso prévio, férias, 13º salário, depósitos de FGTS, horas extras, contribuições previdenciárias e multas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O motorista também requer indenização de 20 mil reais por danos morais e compensação por danos materiais.
Em resumo, ele reivindica judicialmente exatamente o tipo de direito trabalhista que o próprio PT costuma defender em seus discursos públicos.
Discurso na Câmara sobre a PEC 6×1 contrasta com as acusações
Em 12 de novembro de 2024, quando a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 mobilizou o plenário da Câmara dos Deputados, Kiko Celeguim foi um dos defensores mais entusiasmados da medida.
Da tribuna, o parlamentar discursou em defesa dos trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas, criticou a baixa remuneração dos empregos criados no Brasil e alertou sobre o adoecimento da classe trabalhadora. “Há estudos mostrando que as pessoas estão ficando doentes, estão desistindo e procurando serviços de saúde ou licenças, em função da alta carga de trabalho”, disse ele na ocasião.
Esse discurso, no entanto, contrasta frontalmente com o que descreve o processo trabalhista que tramita contra ele.
Processo ainda não foi julgado
A ação ainda não teve julgamento de mérito. O deputado será citado pela Justiça do Trabalho e terá a oportunidade de apresentar sua defesa diante das acusações. Ainda assim, o caso já evidencia uma contradição entre o discurso em favor dos trabalhadores e a prática atribuída ao parlamentar petista.