Imagens antigas usadas para dar impressão de grande mobilização
Os deputados José Guimarães (PT-CE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS) republicaram um vídeo de 21 de setembro, quando milhares ocuparam a Avenida Oceânica em um ato grande, com trio elétrico e presença de artistas como Daniela Mercury e Wagner Moura.
No entanto, o vídeo reapareceu cedo — às 7h da manhã — e foi replicado como se fosse do protesto de domingo contra o PL da Dosimetria. A prática acabou criando a impressão de uma multidão que não correspondeu à realidade.
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Entrar no grupo Protesto real foi bem mais modesto
Enquanto o vídeo mostrava vias completamente tomadas, jornalistas da Folha de S.Paulo observaram, entre 11h e 12h, que o ato de domingo ocupou apenas uma faixa da avenida, sem trio elétrico, sem artistas e com adesão visivelmente menor.
A tentativa de apresentar um protesto robusto usando imagens antigas acabou gerando descrédito, alimentando críticas de que setores da esquerda tentaram superdimensionar artificialmente a mobilização.
Assessores admitem erro e apagam posts
Após repercussão negativa, as assessorias dos três deputados reconheceram o equívoco e removeram os vídeos.
A equipe de Melchionna escreveu:
“Assim que soubemos que publicamos material equivocado, excluímos o post. Infelizmente, erramos e corrigimos assim que tomamos ciência do equívoco.”
Assessores de Guimarães e Feghali alegaram engano, mas a situação já havia alimentado críticas sobre irresponsabilidade na divulgação de informações e falta de cuidado mínimo na checagem do material.
Ato nacional tenta pressionar Senado, mas enfrenta baixa adesão
Mesmo com a controvérsia, grupos de esquerda organizaram manifestações em diversas capitais contra o avanço do PL da Dosimetria, aprovado pela Câmara e agora em análise no Senado.
O protesto buscava impedir a votação do texto que reduz penas de condenados pelo STF nos atos de 8 de janeiro. Ainda assim, muitas cidades registraram mobilizações modestas, distantes do impacto que as lideranças tentaram transmitir com o vídeo antigo.
Além da pauta principal, os organizadores adicionaram temas variados — como críticas à escala de trabalho 6×1 e políticas de combate ao feminicídio — numa tentativa de ampliar o apelo do ato.
No Rio de Janeiro, houve um esforço para atrair atenção com o Ato Musical II, liderado por Caetano Veloso, acompanhado por Gilberto Gil e Paulinho da Viola, mas ainda assim a mobilização enfrentou dificuldades para atingir grande impacto nacional.