Desembargadora afastada por venda de sentença recebe R$ 1,3 milhão em salários sem trabalhar
Afastada por venda de sentença na Operação Faroeste, desembargadora Maria do Socorro recebeu R$ 1,3 milhão em salários sem exercer funções no TJ-BA
Por ContraFatos 17/05/2026 Atualizado em 17/05/2026
A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago | Foto: Divulgação/TJ-BA
Maria do Socorro Barreto Santiago acumula rendimentos milionários mesmo fora das funções no TJ-BA, enquanto responde por acusações da Operação Faroeste
Investigada por venda de sentença no âmbito da Operação Faroeste, a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago acumulou R$ 1,3 milhão em salários desde abril de 2024, conforme levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. O dado causa espanto porque, durante todo esse intervalo, ela não exerceu nenhuma atividade no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
Rendimentos expressivos mesmo como ré
O maior contracheque da magistrada foi registrado justamente em abril de 2026, mês em que ela passou à condição de ré. O valor líquido chegou a R$ 104 mil. Entre janeiro e maio de 2026, os pagamentos somaram R$ 267 mil. Já ao longo de todo o ano de 2025, Maria do Socorro recebeu R$ 664 mil — tudo sem qualquer atuação funcional.
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O que motivou o afastamento
A Operação Faroeste, conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é a responsável pelo afastamento da desembargadora. O STJ detém competência para processar magistrados de tribunais estaduais. As investigações apontam Adailton Maturino, que se apresentou como cônsul da Guiné-Bissau, e sua mulher, a advogada Geciane Maturino, como articuladores centrais de pagamentos e vantagens indevidas destinadas à juíza.
Propinas disfarçadas e imóvel pago em dinheiro vivo
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Maria do Socorro teria ocultado o recebimento de propinas por meio de empréstimos simulados com familiares. Os valores chegaram a R$ 480 mil, viabilizados por cheques emitidos por uma empresa de Adailton Maturino. A acusação também aponta que o genro da desembargadora desembolsou R$ 275 mil em espécie para a aquisição de um imóvel — quantia que, de acordo com os investigadores, teria origem ilícita.
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Rolex de R$ 120 mil e despesas em restaurante japonês
O inquérito revela ainda que Maturino presenteou a magistrada com um relógio Rolex avaliado em R$ 120 mil. A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência do item: “O Rolex foi efetivamente encontrado em poder de Maria do Socorro. Além de fazer uso do Rolex em eventos do Tribunal de Justiça, o relógio foi apreendido na casa dela no cumprimento do mandado de busca e apreensão”.
Outro ponto da investigação envolve um restaurante japonês de Salvador. Adailton Maturino mantinha um acordo com o estabelecimento que permitia que despesas de juízes e desembargadores fossem lançadas em sua conta pessoal. A empresa do operador teria arcado com R$ 1,5 milhão nesses gastos. Maria do Socorro é apontada como uma das frequentadoras do local beneficiadas pelo esquema.
Operação Faroeste e seus desdobramentos
Deflagrada em 2019, a Operação Faroeste é considerada uma das maiores investigações de corrupção no Judiciário brasileiro. O caso expôs um suposto esquema de venda de sentenças envolvendo membros do Tribunal de Justiça da Bahia. A apuração segue sob condução do STJ e da Polícia Federal, com potencial para novos desdobramentos à medida que os processos avançam.