Desespero no PT em São Paulo: Haddad afunda e campanha de Lula entra em alerta vermelho
Haddad aparece 20 pontos atrás de Tarcísio em São Paulo enquanto PT corta verbas e enfrenta desânimo interno que ameaça reeleição de Lula
Por ContraFatos 20/09/2026 Atualizado em 20/09/2026
DESAFIO - O ex-ministro em caminhada na capital paulista: 20 pontos atrás de Tarcísio de Freitas, segundo o Datafolha (Leandro Chemalle/Thenews2/Agência O Globo/.)
Cenário adverso no maior colégio eleitoral do país ameaça estratégia petista para reeleição presidencial
A duas semanas da votação, a campanha do PT em São Paulo atravessa um momento de crise que vai muito além da disputa estadual. Os números recentes das pesquisas eleitorais colocaram a direção petista em estado de alerta vermelho, com Fernando Haddad figurando 20 pontos atrás de Tarcísio de Freitas e o próprio Lula em desvantagem diante de Flávio Bolsonaro no estado. O cenário contrasta fortemente com o que ocorria na mesma fase da corrida eleitoral de 2022.
Interior paulista resiste ao petismo e favorece Tarcísio
Dados da última pesquisa Real Time Big Data revelam que Haddad supera Tarcísio na capital e empata na região metropolitana, mas sofre derrotas avassaladoras nas regiões interioranas. No oeste do estado, o governador alcança 57% das intenções de voto. Para tentar reverter esse quadro, o ex-ministro e Lula realizaram atos em cidades de perfil conservador, como São José do Rio Preto e Barretos, mas a chamada “caravana caipira” não trouxe resultados expressivos, segundo políticos da esquerda local.
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“O Lula esteve em São José do Rio Preto, falou sobre o novo campus da UFSCar, que deverá ter entre 4 000 e 5 000 alunos, numa área muito boa da cidade, mas não se ouve um elogio por isso, só o velho ódio contra o PT”, lamenta um militante do interior que está no partido há mais de vinte anos.
Um fenômeno curioso detectado em diversas cidades agrava a situação: eleitores que declaram voto em Lula para presidente, mas preferem Tarcísio para governador. A combinação já ganhou apelido nos bastidores — “TarLula”.
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Na eleição anterior, o desempenho de Haddad em São Paulo foi fundamental para a vitória apertada de Lula na esfera nacional. Embora tenha perdido a corrida ao governo, o petista chegou ao segundo turno e obteve 45% dos votos — mesmo percentual alcançado por Lula no estado, um dos melhores resultados do petismo na história eleitoral paulista.
A estratégia para 2026 seguia a mesma lógica: repetir a fórmula com Haddad puxando votos em São Paulo. Mas a realidade atual desfaz esse plano. Enquanto em 2022 o petista liderava contra Tarcísio neste ponto da campanha, agora o rival bate em 49% das intenções de voto e pode ser reeleito ainda no primeiro turno, em 4 de outubro. A possibilidade de derrota sem segundo turno é classificada no circuito da esquerda como um “desastre” potencialmente fatal para a pretensão presidencial de Lula.
Importância estratégica ampliada de São Paulo
O quadro se torna ainda mais dramático porque, neste ciclo eleitoral, o desempenho em São Paulo — maior colégio eleitoral do país, concentrando 21% dos votantes — será mais decisivo do que nunca. A expectativa é de que Lula tenha vitórias menos folgadas no Nordeste, região que serviu como reduto essencial para viabilizar seu triunfo em 2022.
Campanha petista enfrenta críticas internas e desmobilização
Dentro da própria estrutura de campanha, o clima é de desânimo. Aliados políticos e militantes que acompanham de perto as movimentações em torno de Haddad multiplicam as críticas. A principal queixa gira em torno de uma “postura de derrota” e da estratégia de mobilização, que estaria concentrada na “pregação para convertidos” — eventos destinados a eleitores que já são simpáticos ao petismo.
Os diretórios municipais do partido, por sua vez, estão mais empenhados em eleger representantes para o Legislativo, especialmente para a Câmara dos Deputados, do que em fortalecer a candidatura estadual de Haddad.
Haddad sabia desde o início que a missão seria difícil. Foi por isso que resistiu o quanto pôde antes de aceitar a determinação de Lula para enfrentar Tarcísio. Em nenhum momento ao longo da pré-campanha e da campanha o ex-ministro esteve à frente do governador nas sondagens. A formação do grid eleitoral também complicou a situação: diferente de 2022, há apenas dois candidatos competitivos, o que confere ao primeiro turno uma dinâmica de rodada final.
Cortes de verba e demissões na equipe de marketing
O pessimismo com as perspectivas eleitorais alcançou também os responsáveis pelo financiamento das campanhas. O PT realizou cortes nos repasses destinados a Haddad, forçando a equipe do ex-ministro da Fazenda a demitir integrantes do setor de marketing e a interromper o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais do candidato. A orientação é reduzir ao máximo as despesas — atitude lida internamente como “um movimento de desmobilização”.
Questionado por VEJA, Otávio Antunes, marqueteiro da campanha do PT em São Paulo, confirmou parcialmente os bloqueios. “Houve uma determinação do diretório nacional para cortar despesas. Os cortes me obrigaram até a demitir gente da minha equipe”, reclamou, sem confirmar a suspensão dos repasses que seriam alocados ao impulsionamento de conteúdos estratégicos nas redes.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT já transferiu 15 milhões de reais do fundo eleitoral para o projeto de Haddad em São Paulo, com gastos que somam 12,28 milhões de reais até o momento. Desse total, quase 53% — cerca de 6,5 milhões de reais — foram repassados à Urissanê Comunicação, agência de Otávio Antunes que historicamente presta serviços ao partido. VEJA procurou a direção nacional do PT para explicar o que motivou os cortes em um estado tão crucial para a reeleição de Lula, mas não obteve retorno.
Disputa pelo Senado também sofre reflexos
O mau desempenho de Haddad ameaça contaminar outra frente que parecia promissora: a disputa pelas vagas ao Senado. Nas primeiras sondagens, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), aliadas de Lula, apareciam como favoritas. Porém, o aquecimento da mobilização da direita — com envolvimento direto de Tarcísio — e os problemas da campanha petista já disseminaram dúvidas sobre esse favoritismo.
Pesquisa Datafolha da última semana registra empate quádruplo: Marina e Tebet aparecem com 13% cada, enquanto os candidatos da direita André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) marcam 11% e 10%, respectivamente — dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Caso a candidatura de Haddad não reaja, o risco é de arrastar consigo as pretensões das ex-ministras ao Senado.
FAVORITO – O governador, em campanha: alavancado até por voto de lulistas, ele pode ser reeleito ainda no primeiro turno (Caiuá Maia/Campanha Tarcísio de Freitas/.)