Conforme reportaram Vinícius Valfré, Aguirre Talento e Gustavo Côrtes no Estadão, o ministro Dino reproduziu relatório da PF que cita fluxos de valores e interlocuções entre o governador e aliados — entre eles o sobrinho Daniel Brandão, conselheiro do TCE. Os casos atingem justamente adversários políticos e desafetos de Dino no Maranhão, estado onde o magistrado mantém forte influência e onde o grupo chamado “dinista” se opõe ao atual governo estadual.
Governo do Maranhão reage e alega perseguição política
Em nota oficial, a assessoria do governador Carlos Brandão contestou as investigações e questionou a competência do STF para o caso. O comunicado afirma: “A assessoria do governador Carlos Brandão vem a público esclarecer que o Supremo Tribunal Federal não tem competência para julgar casos relacionados a governadores de estados, atribuição legal do Superior Tribunal de Justiça. Ainda que no âmbito das investigações surjam personalidades ou autoridades com este foro, cada um deve ser direcionado ao juízo competente, questão apresentada pela Procuradoria-Geral da República na petição 15437/MA (página 31).”
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Entrar no grupo Quebra de sigilo gera críticas do Palácio dos Leões
O governo estadual manifestou surpresa diante da quebra de sigilo dos processos por parte do ministro Flávio Dino. A nota destaca a repercussão recente da quebra do sigilo da fonte envolvendo o jornalista Luís Pablo por decisão do ministro Alexandre de Moraes — direito assegurado pela Constituição — e critica que o mesmo tipo de conduta se repita.
Caso Tech Office e a ligação com a gestão de Dino como governador
A defesa de Brandão levantou outro ponto considerado contraditório. Segundo o governo do Maranhão, causa estranheza que o inquérito sobre o caso Tech Office se restrinja a atos ocorridos a partir de 2022, ano em que o empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira foi assassinado em São Luís. A decisão, porém, omite a reabertura de um processo administrativo de pagamento que estava arquivado desde 2014 e foi retomado em 2019 — fato que seria o motivo do homicídio.
O governo destaca que essa reabertura ocorreu na Secretaria de Educação do Estado, que à época era comandada por Felipe Camarão, durante o período em que o próprio ministro Dino era governador do Maranhão.
Dino lançou pré-candidato ao governo e motivou pedido de impeachment
Felipe Camarão (PT) integra o grupo ligado ao ex-governador Flávio Dino. Em 2025, o ministro lançou publicamente o nome de Camarão como pré-candidato ao governo do estado, em evento realizado em uma universidade. A atitude provocou reação no Congresso: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou pedido de impeachment contra o ministro no Senado Federal.
Ministro segue à frente de decisões que impactam a política maranhense
O grupo que se intitula “dinistas” é adversário político declarado do governador Carlos Brandão. Apesar de todos os elementos apontados pela defesa do governador — incluindo a relação de Dino com a política local, a falta de competência questionada e as conexões do caso Tech Office com sua própria gestão —, o ministro segue responsável por decisões que impactam diretamente o cenário político do Maranhão. Brandão alega perseguição política.