Provas encontradas em celulares apreendidos
A revelação surgiu no contexto de uma investigação mais ampla, que identificou conexões entre empresários supostamente envolvidos em lavagem de dinheiro e a organização criminosa. Nos telefones apreendidos durante a operação, o MPSP afirma ter localizado mensagens e até uma gravação da sessão de julgamento conduzida pelo PCC.
Em um grupo de WhatsApp intitulado “Assunto Pertinente a casa Riviera”, havia um áudio que teria sido gravado durante a reunião promovida pela facção. Os investigadores acreditam que o registro foi feito por Alexandre Viriato da Silva, apelidado de “Gordão”.
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Entrar no grupo Na gravação, foram reconhecidas vozes de supostos líderes da organização. Entre os identificados estão um homem conhecido apenas como “Zoio” e Antonio Carlos Sampaio, chamado de “Compadre” ou “Kaka”, que já possui condenação por envolvimento em organização criminosa.
Rede de contatos ligou empresário ao PCC
A investigação aponta que Cléber teria recorrido a dois nomes já conhecidos pelas autoridades para viabilizar o contato com integrantes da facção: Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana. Ambos já haviam sido alvo de denúncia durante a Operação Bazaar e voltaram a ser presos preventivamente na operação atual.
Um dos contatos repassados foi o de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, apontado como uma das figuras de comando do PCC. Ele também teve a prisão decretada na mesma operação.
Foi por meio dessa articulação, segundo relatam os promotores, que a disputa pela propriedade passou a tramitar dentro da estrutura utilizada pela facção para arbitrar seus conflitos internos.
Reunião na Zona Sul e tentativa de intimidação
Os investigadores afirmam que Cléber relatou a um interlocutor, em maio de 2023, ter se reunido na Zona Sul da capital paulista com pessoas ligadas à facção para discutir a situação do imóvel.
As mensagens analisadas revelam que Marcelo de Morais Oliveira compareceu a esse encontro acompanhado de indivíduos vinculados ao PCC, que teriam tentado pressionar e intimidar Cléber. Como nenhum consenso foi alcançado, ficou decidido que a questão seria submetida à decisão da organização criminosa.
Em outra mensagem, Cléber faz referência a dificuldades relacionadas ao que chama de “ideias do comando” sobre o imóvel, afirmando que tudo seria resolvido por meio do chamado “resumo de SP”. Conforme o Ministério Público, esse termo designa o procedimento interno adotado pelo PCC para solucionar conflitos entre pessoas próximas à facção.
Participação voluntária e vínculos com a facção
A apuração sustenta que Cléber aceitou de forma espontânea participar do julgamento paralelo conduzido pela organização. Em diversas mensagens, ele trata integrantes do PCC como “irmãos”, demonstra gratidão pelo atendimento recebido e se refere a Marcelo como “companheiro” do grupo criminoso.
Embora negue pertencer oficialmente à organização, o MPSP entende que Cléber aceitava seguir as normas e a estrutura hierárquica da facção.
Padrão de comportamento já identificado
Os promotores destacam que esse não seria um caso isolado. Há indícios de que Cléber já havia buscado apoio do PCC em uma disputa anterior, relacionada à compra de um galpão na Zona Leste da capital. Nesse negócio, Leonardo Meirelles e Raphael Flores Rodriguez também figuravam como sócios.