Isenção condicionada à falsificação da identidade da vítima
De acordo com a plataforma Iran International, o governo iraniano admite dispensar a cobrança caso os familiares concordem em registrar o morto como integrante da Basij, milícia armada criada para defender o regime islâmico instaurado em 1979.
A Basij foi fundada com a ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini, responsável por implantar a ditadura islâmica no país após a Revolução Iraniana.
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Entrar no grupo Consolidação da ditadura islâmica
Khomeini liderou a revolução que derrubou o Estado laico e impôs a lei islâmica como base do ordenamento jurídico. Ao assumir o poder, tornou-se líder supremo — o cargo de maior autoridade do regime.
Ele permaneceu no comando até sua morte, em 1989, sendo sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei, que ocupa o posto até hoje. Sob o regime religioso, homens e mulheres deixaram de ser iguais perante a lei, homossexuais passaram a ser punidos com pena de morte, e minorias religiosas, como cristãos e judeus, perderam direitos civis.
Protestos e repressão violenta
No fim de 2025, manifestações se espalharam pelo Irã inicialmente contra o aumento do custo de vida. Com o crescimento do movimento, as reivindicações passaram a exigir a queda da ditadura dos aiatolás. Em resposta, o regime intensificou a repressão.
No sábado, 10, o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad, declarou que todos os manifestantes envolvidos nos protestos recentes são classificados como “mohareb” — termo jurídico que significa “inimigos de Deus”. Pela legislação iraniana, essa tipificação é punível com a morte.
Organizações não governamentais estimam que até 12 mil manifestantes possam ter sido mortos, incluindo crianças, jovens e mulheres.
A história de Rubina Aminian
Entre as vítimas está Rubina Aminian, de 23 anos. Ela foi morta em Teerã durante um protesto. Rubina cursava uma escola de moda e vivia na capital iraniana, embora sua família morasse a cerca de 500 quilômetros dali.
Os pais viajaram até Teerã para reconhecer o corpo da filha e tentar levá-lo de volta à cidade natal. Ao retornarem, encontraram a casa lacrada pela inteligência iraniana. Agentes informaram que o sepultamento em cemitério não estava autorizado.
Sem alternativa, o casal foi obrigado a enterrar a filha em uma estrada nas proximidades, longe de qualquer ritual religioso ou funeral digno — um retrato extremo da repressão imposta pelo regime.