Tesouro projeta forte avanço do endividamento em meio a juros elevados e pressão fiscal
A dívida pública brasileira encerrou 2025 no patamar de R$ 8,6 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. Para 2026, a estimativa oficial aponta um crescimento ainda mais acentuado, com o estoque podendo alcançar um intervalo entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões, conforme as diretrizes do Plano Anual de Financiamento (PAF).
O documento define a estratégia do governo federal para administrar o endividamento e indica que será necessário captar um volume maior de recursos ao longo do próximo ano. O movimento reflete um cenário fiscal mais pressionado, somado à permanência da taxa básica de juros em níveis elevados.
Mudança na estratégia de emissão de títulos
Entre os principais ajustes anunciados pelo Tesouro está a redução na emissão de títulos prefixados, que oferecem rendimento fixo, e a ampliação da participação dos papéis indexados à Selic, conhecidos como LFTs. Com a taxa básica mantida em 15% ao ano pelo Banco Central, a estratégia busca tornar esses títulos mais atrativos para os investidores e ampliar a base de compradores.
Esse redesenho da política de financiamento, no entanto, aumenta o peso dos juros sobre o custo total da dívida, ao mesmo tempo em que o governo tenta preservar a confiança do mercado em um ambiente de incertezas econômicas e políticas.
Prazo médio e refinanciamento de curto prazo
De acordo com o PAF, o Tesouro pretende manter o prazo médio da dívida entre 3,8 e 4,2 anos até dezembro de 2026. Atualmente, esse indicador está em 4 anos, dentro do intervalo considerado adequado pela equipe econômica.
Já a parcela da dívida com vencimento em até 12 meses deve oscilar entre 18% e 22%. Em 2025, esse percentual ficou em 17,5%, indicando um aumento moderado na necessidade de refinanciamento de curto prazo nos próximos exercícios.
Colchões de proteção destacados pelo Tesouro
Apesar da trajetória de crescimento do endividamento, o Tesouro Nacional afirma que o país dispõe de instrumentos suficientes para enfrentar eventuais períodos de instabilidade no mercado financeiro. Dois mecanismos são apontados como fundamentais:
Reservas internacionais
O governo afirma que o Brasil possui reservas suficientes para cobrir os R$ 33,3 bilhões em vencimentos da dívida externa previstos para 2026.
Colchão de liquidez
O chamado colchão de liquidez, fundo de reserva interno, soma R$ 1,187 trilhão, valor capaz de cobrir os compromissos da dívida pública doméstica por aproximadamente 7,3 meses.
Revisões e aceleração do endividamento
Inicialmente, o Plano Anual de Financiamento previa que a Dívida Pública Federal encerraria 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Em setembro do ano passado, contudo, o governo revisou a projeção, elevando o teto para R$ 8,8 trilhões.
O resultado final, de R$ 8,6 trilhões, ficou dentro da faixa revisada, mas confirmou uma forte aceleração do endividamento, ampliando a preocupação de analistas e investidores.
Dívida segue no radar em 2026
A evolução da dívida pública deve permanecer como um dos principais focos de atenção ao longo de 2026, especialmente diante da combinação de crescimento dos gastos, pressões por flexibilização fiscal e juros persistentemente altos. O cenário reforça o debate sobre sustentabilidade das contas públicas e os desafios da política econômica no próximo ano.