Dívidas mais caras pressionam o orçamento doméstico
Segundo o Comitê de Estabilidade Financeira do BC, o avanço do crédito com custos elevados tende a agravar ainda mais esse quadro. O órgão recomendou atenção redobrada ao setor, destacando que o peso das dívidas mais caras contribui de forma significativa para comprimir o orçamento das famílias no país.
A instituição também apontou que, do lado das famílias, o crescimento do crédito diminuiu nas modalidades de maior risco. Contudo, esse ritmo ainda permanece superior ao observado na carteira de menor risco.
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Entrar no grupo Governo relança Desenrola Brasil de olho no superendividamento
Diante do agravamento da situação financeira dos brasileiros, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu relançar o Desenrola Brasil. O programa oferece descontos de até 90% na renegociação de dívidas, com juros limitados a 1,99% ao mês.
Em ano eleitoral, a nova fase do Desenrola Brasil funciona como aposta do governo para melhorar sua imagem junto à população. Há ainda a previsão de criação de uma linha de crédito voltada a consumidores adimplentes cuja renda esteja fortemente comprometida.
Crédito bancário perde fôlego com Selic a 14,5% ao ano
O Comitê de Estabilidade Financeira revelou que, desde março, o crédito bancário desacelerou em razão da taxa Selic elevada, atualmente em 14,5% ao ano. “Do lado das famílias, o crescimento do crédito arrefeceu nas modalidades de maior risco, mas segue superior ao da carteira de menor risco”, afirmou o órgão.
Em contrapartida, o financiamento por meio do mercado de capitais voltou a ganhar ritmo, registrando expansão superior à do setor bancário. “O aumento da relevância do mercado de capitais como fonte de financiamento para empresas ocorreu apesar das aberturas de spreads de debêntures incentivadas e dos resgates líquidos em fundos de crédito privado”, explicou o BC.
Cenário empresarial também desperta preocupação
O Banco Central informou que a oferta de crédito esfriou especialmente para micros, pequenas e médias empresas, sendo sustentada basicamente por programas de incentivo. No caso das grandes empresas, porém, foi observada uma reaceleração.
“A materialização de risco permaneceu elevada e em ascensão para todos os portes de empresas”, tratou o comitê, sinalizando que os riscos no sistema financeiro não se restringem ao universo das famílias, mas alcançam também o setor corporativo em diferentes escalas.