Um grupo pequeno que concentra endividamento gigante
Embora represente apenas 5,5% das 24,8 milhões de empresas analisadas pela Serasa Experian, o segmento de PMEs com empresa e sócio principal simultaneamente inadimplentes responde pelos maiores volumes de pendências financeiras. A pesquisa avaliou companhias com faturamento anual de até R$ 300 milhões e considerou inadimplentes aquelas com atrasos iguais ou superiores a 30 dias nas modalidades de cartão de crédito e capital de giro.
Os dados revelam ainda um segundo perfil: empresas com dívidas em atraso cujos sócios permanecem adimplentes. Esse grupo equivale a 2,2% da base e acumula R$ 43,9 bilhões em pendências. Já a maior fatia das PMEs analisadas — 92,2% — não apresenta inadimplência nas modalidades avaliadas. Dentro desse universo, 52,2% mantêm empresa e sócio principal em situação regular, enquanto 40% possuem sócios inadimplentes, embora o negócio em si permaneça sem débitos em atraso.
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Entrar no grupo Saúde financeira do negócio e do empreendedor caminham juntas
Cleber Genero, vice-presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, destacou a forte correlação entre a situação financeira da empresa e a do seu dono. “Embora representem uma parcela relativamente pequena das PMEs analisadas, os casos em que empresa e sócio principal estão simultaneamente inadimplentes concentram volumes expressivos de dívidas. Os resultados reforçam que a saúde financeira do negócio e a do empreendedor caminham juntas e podem se influenciar mutuamente ao longo do tempo”, afirma.
Essa dinâmica se torna ainda mais preocupante em um cenário de juros altos sustentados pelo Banco Central para conter a inflação — alimentada, em boa parte, pelo descontrole fiscal de um governo gastador que não demonstra compromisso real com o equilíbrio das contas públicas. Quem paga a conta são os empreendedores.
Empresas mais maduras lideram volumes de crédito e inadimplência
Outro dado relevante do estudo mostra que os maiores volumes de crédito contratado e de inadimplência estão entre negócios com mais tempo de mercado. Empresas com 10 a 20 anos de atividade acumulam R$ 26,7 bilhões em crédito tomado e R$ 11,6 bilhões em atrasos. Já aquelas entre 5 e 10 anos de operação concentram R$ 26,1 bilhões em crédito e R$ 13,5 bilhões em pendências.
As empresas entre 1 e 5 anos, apesar de representarem a maior parcela do grupo analisado (38,6%), registram valores menores: R$ 16,3 bilhões em crédito contratado e R$ 9,7 bilhões em inadimplência. Isso indica que a maior exposição financeira recai sobre negócios mais consolidados — justamente aqueles que deveriam estar em posição confortável, mas são sufocados pelo custo do dinheiro.
Comércio lidera em valores, Serviços em ocorrências
Na análise por setores, o segmento de Serviços reúne o maior número de ocorrências (48,8%), porém é o Comércio que lidera os valores financeiros, com R$ 35,3 bilhões em crédito tomado e R$ 16,1 bilhões em atrasos. O setor de Serviços vem logo atrás, com R$ 31,5 bilhões em crédito e R$ 16 bilhões em pendências.
Diante desses números, fica claro que as PMEs brasileiras enfrentam um ambiente hostil: juros nas alturas e um governo que insiste em gastar além do que arrecada, empurrando o custo do crédito para cima e estrangulando quem tenta empreender no país.