Economia brasileira piora e segue abaixo do nível pré-pandemia no 1º trimestre de 2026
Produtividade Total dos Fatores cai no primeiro trimestre de 2026 e permanece quase 6% abaixo dos patamares registrados antes da pandemia segundo a FGV
Por ContraFatos 30/06/2026 Atualizado em 30/06/2026
Dados da FGV revelam queda da eficiência produtiva e acendem alerta sobre capacidade de crescimento sustentável do país
A capacidade do Brasil de combinar trabalho e capital de forma eficiente segue deteriorada. No primeiro trimestre de 2026, a Produtividade Total dos Fatores (PTF) voltou a cair, mantendo a economia brasileira em patamar inferior ao observado antes da pandemia de covid-19. Os números foram apurados pelo Observatório da Produtividade Regis Bonelli, ligado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Defasagem em relação ao período pré-pandemia preocupa
Um dos pontos mais alarmantes do levantamento é a distância que separa os indicadores atuais dos registrados no fim de 2019. A PTF calculada com base nas horas efetivamente trabalhadas está 5,8% abaixo do patamar do quarto trimestre daquele ano. Quando se utiliza a métrica das horas habitualmente trabalhadas, o déficit é de 5% em relação ao nível pré-pandemia.
Leitura
Quedas na comparação anual e trimestral
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a PTF recuou 1,5% quando medida pelas horas efetivamente trabalhadas. Pela metodologia baseada nas horas habitualmente trabalhadas, a retração foi de 0,8%.
O desempenho também foi negativo frente ao trimestre imediatamente anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2025, já com ajuste sazonal, o indicador baseado nas horas efetivas caiu 0,6%, enquanto a versão calculada pelas horas habituais recuou 0,5%.
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A FGV explica que a Produtividade Total dos Fatores vai além da produtividade do trabalho tradicional, que leva em conta somente o valor adicionado por trabalhador. A PTF avalia a eficiência conjunta do uso da mão de obra e do capital físico na economia, sendo considerada um dos indicadores mais relevantes para medir a capacidade de crescimento sustentável de um país.
Base metodológica do estudo
O levantamento foi elaborado a partir das Contas Nacionais Trimestrais e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, ambas produzidas pelo IBGE. Também foram utilizados dados da Sondagem da Indústria, desenvolvida pela própria FGV Ibre.
Dificuldades estruturais persistem
Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o resultado reforça que a economia brasileira continua enfrentando dificuldades para elevar sua eficiência produtiva. Esse fator é considerado essencial para sustentar o crescimento da renda e da atividade econômica no longo prazo.