Editorial do Estadão acusa Lula de repetir estratégias de Dilma e ‘quebrar o país’ em busca da reeleição
Editorial do Estadão compara governo Lula à gestão Dilma e aponta R$ 215 bilhões em manobras fiscais ocultas para garantir a reeleição
Por ContraFatos 09/06/2026 Atualizado em 09/06/2026
Assim como o governo de Dilma, a atual gestão de Lula enfrenta críticas relacionadas à pressão da inflação Foto: Reprodução/Wikimedia Commons | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Relatório da XP aponta R$ 215 bilhões em manobras fiscais ocultas para inflar popularidade presidencial
Um levantamento conduzido pelo economista Marcos Mendes, da XP Investimentos, serviu de base para um editorial contundente publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. O estudo identificou 33 medidas classificadas como populistas implementadas pelo Planalto apenas neste ano. Juntas, essas iniciativas totalizam R$ 215 bilhões em aumento de despesas e renúncias fiscais, configurando o que o jornal chamou de pacote de “bondades eleitorais” destinado a recuperar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O cerne da crítica do Estadão recai sobre a comparação direta entre as práticas econômicas do atual governo e os expedientes que levaram à ruína financeira da gestão de Dilma Rousseff. Segundo o editorial, Lula reedita os mesmos truques que já causaram graves consequências para o país no passado.
Leitura
Maquiagem bilionária nas contas públicas
O dado mais alarmante do relatório diz respeito à ocultação dos gastos. Conforme o levantamento, 96% do montante total — mais de R$ 200 bilhões — foi escamoteado e simplesmente não aparece nos indicadores oficiais do novo arcabouço fiscal. Esse valor é superior ao escândalo da chamada “PEC da gastança” do final de 2022, evidenciando que o governo federal atropela as metas fiscais de maneira velada para obter vantagens na corrida eleitoral.
Os três artifícios da contabilidade criativa
O editorial detalhou os mecanismos empregados pela equipe econômica de Lula para expandir gastos sem sofrer as punições previstas em lei. São três estratégias principais:
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Créditos subsidiados disfarçados: O primeiro artifício envolve a liberação de créditos subsidiados, como o programa para compra de caminhões. Esses recursos saem do Orçamento, porém seguem registrados como patrimônio do Tesouro por serem classificados como empréstimos. Na realidade, o dinheiro nunca retorna aos cofres públicos e se converte em dívida pura, sem afetar o índice de despesa primária do arcabouço.
Desvio de fundos públicos: O segundo truque utiliza fundos públicos para financiar programas de incentivo governamentais. Recursos que deveriam voltar ao Tesouro para abater a dívida são redirecionados para inflar projetos do governo. Um exemplo citado é o confisco de “dinheiro esquecido” em bancos, canalizado diretamente para o Fundo de Garantia de Operações (FGO) a fim de turbinar o programa Desenrola.
Créditos extraordinários para gastos ordinários: Por fim, o Planalto recorre a créditos extraordinários para custear despesas rotineiras, como as subvenções aos combustíveis, blindando esses gastos das travas impostas pela legislação fiscal.
O espectro das pedaladas fiscais volta a assombrar
Na avaliação do Estadão, o novo arcabouço fiscal se transformou em uma peça de ficção cuja utilidade se resume ao cumprimento meramente formal de regras. Enquanto isso, a realidade revela um endividamento acelerado do país. O jornal ressalta que o Orçamento federal foi totalmente capturado por despesas obrigatórias, e que a estratégia do governo consiste em gastar fora dos limites oficiais para manter a aparência de responsabilidade fiscal.
A comparação com o governo Dilma Rousseff é inevitável, segundo o editorial. Assim como ocorreu naquele período, a atual gestão enfrenta críticas crescentes relacionadas à pressão inflacionária e ao descontrole das contas públicas. O jornal conclui que o presidente Lula está disposto a “quebrar o país” para viabilizar sua reeleição, repetindo um roteiro que já teve consequências desastrosas para a economia brasileira.