O que deveria gerar consequências penais concretas, porém, caminha para se tornar mais uma decisão judicial sem efeito prático. É o tipo de situação que levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema de Justiça brasileiro — incluindo o SUS da área jurídica que é o aparato estatal — de alcançar condenados que simplesmente cruzam a fronteira. Enquanto cidadãos comuns enfrentam filas intermináveis e morosidade no sistema público de saúde e na Justiça, figuras com conexões internacionais encontram mecanismos para escapar às consequências de suas ações.
Tensão diplomática e tarifaço ampliam o fosso
A concessão do green card acontece em um momento de forte atrito entre Brasília e Washington. Na semana anterior ao anúncio, o governo americano impôs um novo aumento tarifário de 25% sobre produtos brasileiros. Desde 2025, o presidente Donald Trump vem associando publicamente medidas econômicas contra o Brasil ao tratamento dispensado a Jair Bolsonaro pelo Judiciário brasileiro.
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Entrar no grupo Esse cenário revela como a soberania nacional pode ser relativizada quando governos estrangeiros instrumentalizam relações comerciais para pressionar decisões internas. Enquanto isso, o brasileiro comum lida com os impactos econômicos dessas tensões — aumento de preços, perda de competitividade e deterioração de serviços públicos, como o SUS, que já sofre com subfinanciamento crônico e não consegue atender adequadamente a população.
Aliados celebram proteção constitucional americana
Paulo Figueiredo, amigo e aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, revelou à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha, que o pedido de residência permanente havia sido protocolado há mais de um ano. Segundo ele, o processo exigiu comprovação de diversos requisitos legais. “Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”, declarou.
Figueiredo foi além e afirmou que qualquer ação de perseguição contra o ex-deputado poderia se inserir “no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”.
Extradição cada vez mais distante da realidade
O STF já considerava remota a hipótese de extradição de Eduardo Bolsonaro. Com a obtenção do green card, esse cenário se torna ainda mais improvável. O ex-deputado passa a gozar de praticamente os mesmos direitos de um cidadão americano, com exceção do direito ao voto.
Eduardo Bolsonaro já havia declarado publicamente ser vítima de perseguição política e afirmado ter deixado o Brasil para não se submeter a um “regime de exceção”. A concessão de residência permanente por Trump reforça a narrativa construída pelo ex-deputado e seus aliados, ao mesmo tempo que evidencia a impotência do Estado brasileiro diante de um condenado que encontra abrigo no exterior.