A primeira-dama ainda mirou o governador Jorginho Mello (PL), afirmando que Santa Catarina é “o único Estado do Brasil com governador do principal partido da extrema direita”. Em tom que muitos consideraram agressivo e generalizante, Janja declarou que “eles plantaram e cultivaram a semente do mal” no estado — uma afirmação pesada que rotula politicamente toda uma população.
Relatos de êxodo e convocação de apoiadores
Durante o evento, Janja narrou casos de pessoas que, segundo ela, teriam abandonado Santa Catarina por não suportarem o ambiente político local. “Sei que tem pessoas que foram embora de Santa Catarina por não conseguirem viver em um Estado dominado pelo bolsonarismo“, afirmou. Na sequência, classificou essa decisão como compreensível diante de um cenário que considera “hostil ao que a gente pensa, ao que a gente defende, ao que a gente é”.
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Entrar no grupo Além disso, a primeira-dama relatou que apoiadores de Lula teriam sofrido demissões ou ameaças de demissão por defenderem o presidente. Ela também mencionou que alguns eleitores teriam rompido relações com pessoas próximas que, em suas palavras, foram “cooptadas pelo bolsonarismo“.
Dados desmentem narrativa de “hostilidade”
Curiosamente, os números oficiais contradizem a ideia de que Santa Catarina seria um lugar que afugenta pessoas. O senador Jorge Seif Junior reagiu às declarações de Janja compartilhando dados do IBGE que mostram um cenário oposto: entre 2017 e 2022, o estado recebeu 503.580 pessoas vindas de outras unidades da federação e registrou um saldo migratório positivo de 354.350 habitantes. Se o ambiente fosse tão “hostil” quanto a primeira-dama sugere, dificilmente o estado atrairia centenas de milhares de novos moradores.
A fala de Janja também carrega uma contradição implícita: ao retratar todo um estado como refém de uma única corrente ideológica e classificar o conservadorismo local como “semente do mal”, a primeira-dama demonstra pouca disposição para o diálogo democrático que o próprio governo diz defender. Em vez de buscar pontes com o eleitorado catarinense, o discurso parece reforçar a divisão e antagonizar uma parcela significativa da população brasileira.
Contexto eleitoral: a força do voto conservador em Santa Catarina
Vale lembrar que, em 2022, Jair Bolsonaro obteve cerca de 70% dos votos válidos em Santa Catarina, o que evidencia a expressiva preferência do eleitorado local pelo campo político conservador. É diante desse cenário que Janja pediu aos apoiadores presentes no evento que continuem defendendo Lula e busquem votos para a reeleição do presidente, com atenção especial às mulheres.
A estratégia de confronto direto com o perfil político de um estado inteiro, no entanto, levanta dúvidas sobre sua eficácia. Estigmatizar uma região e seus moradores dificilmente é o caminho para conquistar corações e mentes — e pode, ao contrário, solidificar a resistência que a própria primeira-dama diz querer superar.