Emendas de R$ 884 milhões foram liberadas pelo governo a parlamentares que livraram Lulinha na CPMI do INSS
Governo empenhou R$ 884 milhões em emendas para os 19 parlamentares que votaram contra relatório da CPMI do INSS que pedia indiciamento de Lulinha
Por ContraFatos 12/08/2026 Atualizado em 12/08/2026
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Quase a totalidade dos empenhos de 2026 para os 19 congressistas ocorreu depois da rejeição do relatório que pedia indiciamento do filho de Lula
Dos 19 congressistas que votaram pela rejeição do relatório final da CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), o governo federal empenhou R$ 884,37 milhões em emendas parlamentares após a sessão decisiva, realizada em 28 de março. Esse valor corresponde a 98,64% de tudo o que foi empenhado nas emendas desses mesmos parlamentares ao longo de todo o ano de 2026 até agora — um total de R$ 896,56 milhões.
O Orçamento da União de 2026 prevê R$ 1,06 bilhão em emendas destinadas a esses 19 nomes. Até o momento, R$ 718,65 milhões já foram efetivamente pagos. O levantamento foi feito pelo site O Antagonista com base nos dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). O empenho é a etapa em que o Executivo reserva o dinheiro para garantir o pagamento de um serviço ou a aquisição de um bem, conforme a indicação dos parlamentares.
Leitura
Relatório previa indiciamento de Lulinha e mais de 200 pessoas
O parecer do relator Alfredo Gaspar na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi derrubado por 19 votos a 12, resultado considerado uma vitória para o Palácio do Planalto. O documento propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas envolvidas em descontos irregulares aplicados a aposentadorias e pensões do INSS.
Entre os alvos do relatório estava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. O relator solicitou seu indiciamento por tráfico de influência; lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; organização criminosa; e participação em corrupção passiva.
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Além de Lulinha, o documento mencionava o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Com a rejeição do parecer e o encerramento da sessão sem que uma versão alternativa fosse analisada, a CPMI foi encerrada sem nenhum relatório final aprovado.
Denúncia contra o relator Alfredo Gaspar
Durante a leitura do relatório, dois dos 19 parlamentares que votaram contra o parecer — a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) — protocolaram uma denúncia contra Alfredo Gaspar junto à Polícia Federal (PF). A acusação envolvia suposto estupro de vulnerável e tentativa de ocultação de fatos.
O pedido de investigação foi encaminhado à PF em 27 de março, um dia antes da votação. Gaspar, que hoje é pré-candidato a presidente da República na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve sua credibilidade questionada pela base governista durante a sessão. As suspeitas levantadas pelo petista Lindbergh e por Soraya serviram de argumento para a tentativa de descredibilizar o relator ao longo da leitura do parecer.
Valores empenhados por parlamentar após a votação da CPMI