Empresa repassou valores a filho de ministro do STF
Parte desses recursos foi destinada ao advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques. Ao todo, foram identificados 11 pagamentos, que somam R$ 281,6 mil, feitos por meio do escritório do advogado.
De acordo com registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Kevin Marques é o único responsável pela banca que recebeu os valores.
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Entrar no grupo Coaf vê indícios de irregularidade nas operações
As informações constam em relatórios do Coaf que analisam movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master. O órgão destaca que a Consult Inteligência Tributária havia declarado anteriormente um faturamento de apenas R$ 25,5 mil.
Diante disso, o conselho classificou as operações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa. Ainda segundo o relatório, os valores podem indicar “origem não formal” dos recursos e sugerem a utilização da consultoria como intermediária para circulação de dinheiro.
Defesa e empresas se manifestam sobre os pagamentos
Em resposta, Kevin Marques afirmou que os valores recebidos são legais e decorrentes de sua atuação profissional na advocacia, especialmente em atividades “voltada ao fisco administrativo”.
O ministro Kássio Nunes Marques não comentou o caso.
Já a JBS declarou que mantém a prática de contratar empresas de consultoria para apoio em questões tributárias, incluindo a Consult Inteligência Tributária.
Histórico e estrutura da consultoria
A empresa foi criada em 2022, na cidade de Teresina (PI), por Francisco Craveiro de Carvalho Junior. Segundo informações divulgadas, a Consult atua nas áreas de auditoria, consultoria tributária e implantação de sistemas.
Craveiro Junior deixou a sociedade em novembro de 2025, ocasião em que negociou R$ 13 milhões em lucros. Posteriormente, ele retornou ao quadro societário em 6 de março de 2026.
Conversas com banqueiro e movimentações no STF
Durante investigações, a Polícia Federal encontrou registros de conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Nunes Marques em um celular apreendido. O magistrado declarou que “não possui relação de proximidade com o senhor Daniel Vorcaro e que não se recorda de troca de mensagens”.
De acordo com fontes que tiveram acesso ao conteúdo, os diálogos foram descritos como de teor “superficial”.
Em novembro, a defesa de Vorcaro solicitou que as apurações envolvendo o Banco Master fossem encaminhadas ao STF sob relatoria de Nunes Marques. No entanto, o processo foi distribuído ao ministro Dias Toffoli e, posteriormente, passou para a relatoria do ministro André Mendonça.