O que se seguiu foi uma troca de gracejos que arrancou gargalhadas no plenário. Flávio Dino aproveitou uma fala de Luiz Fux para fazer uma provocação bem-humorada. “Já que o ministro Fux lembrou a carreira dele longeva no Ministério Público, invocou Plácido e Silva, o ministro Alexandre também é quase tão antigo quanto no Ministério Público”, disse Dino, provocando uma gargalhada sonora de Gilmar Mendes.
É no mínimo curioso que questões processuais relevantes sirvam de combustível para momentos de humor entre os magistrados que decidem os rumos jurídicos do Brasil.
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Entrar no grupo Eleição para ministro substituto do TSE rende ironia
Logo em seguida, outro episódio chamou atenção. O ministro Fachin fez graça com a votação para o cargo de ministro substituto do TSE. Como os ministros sempre respeitam uma ordem baseada na antiguidade, o resultado da eleição é invariavelmente previsível — o que torna o ritual, aos olhos de muitos, uma mera formalidade protocolar.
“Estamos computando os últimos votos, para aplacar a ansiedade do certame eleitoral em curso”, explicou Fachin, em tom de brincadeira.
Alexandre de Moraes não perdeu a oportunidade e emendou com ironia: “A apuração está apertada, presidente?”
O desfecho, como era esperado, não trouxe surpresa alguma: Cristiano Zanin recebeu nove votos para ser reconduzido ao cargo, enquanto Luiz Fux obteve apenas um — o do próprio Zanin. Uma eleição cujo resultado já estava decidido antes mesmo de começar.
Descontração ou descaso com a percepção pública?
A leveza entre os ministros pode ser vista, em tese, como algo natural em qualquer ambiente de trabalho. Porém, quando se trata do Supremo Tribunal Federal, a instituição que tem a última palavra sobre a Constituição, o excesso de informalidade durante as sessões transmitidas ao vivo inevitavelmente alimenta críticas. Em tempos de profunda desconfiança da população em relação ao Judiciário, momentos de gargalhadas e piadas internas no plenário podem soar como alheamento em relação às angústias de uma sociedade que espera seriedade à altura das responsabilidades que esses magistrados carregam.