Em janeiro de 2025, ao prestar depoimento ao delegado Julio Jesus Encarnação, da Polícia Civil de São Paulo, Azevedo admitiu que vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para viabilizar a abertura da ACX ITC. Cada vez que precisava assinar algum documento relacionado à empresa, ele recebia R$ 1 mil adicional.
Rede de mais de 40 empresas e conexão com o PCC
Apesar de declarar capital social superior a R$ 100 milhões, a ACX ITC faz parte de uma rede com mais de 40 empresas vinculadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. De acordo com a CPMI do INSS, essa empresa fantasma movimentou R$ 39 bilhões em operações suspeitas de lavagem de dinheiro.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Há ainda conexões com a Victory Trading, empresa sancionada na quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por ligações com o PCC. Relatórios do Coaf encaminhados à CPMI indicam que a ACX ITC movimentou R$ 918,3 milhões e apresenta “fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico”, conforme conclusão da Operação Saturno, conduzida pela Polícia Civil paulista. O caso foi remetido à Justiça Federal.
Cronologia dos pagamentos e a nomeação por Lula
O valor de R$ 700 mil foi transferido em parcela única ao escritório de Verônica Sterman entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Nesse período, ela ainda exercia a advocacia. Lula a nomeou para o STM em setembro de 2025 — entre nove e dez meses depois do recebimento dos recursos.
A ministra declarou que a quantia corresponde a três pareceres jurídicos prestados. No entanto, a reportagem não conseguiu localizar processos judiciais nos quais Sterman tivesse atuado em favor da ACX ITC ou de outras empresas do grupo.
Ex-ministro do STJ também recebeu pagamentos da mesma empresa
A ACX ITC não direcionou recursos apenas ao escritório da ministra do STM. A mesma firma pagou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro após sua saída da Corte. Cordeiro afirmou que os valores correspondiam a honorários por serviços prestados em ações já encerradas.
Relevância do caso e preocupações sobre empresas de fachada
O episódio ganha contornos especialmente graves por envolver uma magistrada de tribunal superior e recursos provenientes de uma empresa inserida em esquema investigado por fraudes no INSS, lavagem de dinheiro e possível conexão com o crime organizado.
O caso reforça alertas sobre a utilização de “laranjas” e empresas fantasma como instrumentos para dissimular a origem de recursos em investigações de grande porte conduzidas no país. O depoimento bombástico prestado à Polícia Civil de São Paulo e os relatórios de inteligência financeira do Coaf servem como base documental para o avanço das apurações na CPMI do INSS.