Escudo das Américas anuncia sanções contra PCC, CV e outros 22 grupos criminosos em ação inédita
Aliança Escudo das Américas liderada por Trump anuncia sanções coletivas contra 24 grupos criminosos incluindo organizações brasileiras mexicanas e venezuelanas
Por ContraFatos 22/09/2026 Atualizado em 22/09/2026
Líderes reunidos para o lançamento do “Escudo das Américas”. 07/03/2026 (Roberto Schmidt/Getty Images)
Aliança liderada por Trump propõe congelamento de ativos e restrições migratórias contra organizações do crime organizado em 15 países do continente
Vinte e quatro organizações criminosas que operam nas Américas passaram a ser alvo de uma ofensiva coordenada sem precedentes. A coalizão Escudo das Américas, formada por 15 nações sob liderança dos Estados Unidos, apresentou nesta terça-feira uma proposta de sanções coletivas contra esses grupos, classificados como “uma ameaça imediata e compartilhada”.
Quais grupos estão na mira das sanções
Entre as organizações atingidas estão grupos já sancionados individualmente por Washington. A lista inclui desde a Mara Salvatrucha, de El Salvador, até o Tren de Aragua, da Venezuela, passando pelos principais cartéis mexicanos e organizações armadas de Brasil, Colômbia e Peru. É a primeira vez que se tenta estender o sistema de sanções norte-americano a um bloco de países que representa quase metade da América Latina e do Caribe.
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Congelamento de ativos e responsabilização penal
O comunicado divulgado após reunião de líderes na sede da ONU, em Nova York, detalha o alcance das medidas pretendidas. “Declaramos nossa intenção de impor o congelamento de ativos e restrições migratórias e de visto para os membros, associados e apoiadores dessas organizações, e responsabilidade penal para as pessoas que oferecerem deliberadamente apoio material, incluindo apoio logístico, a essas organizações”, diz o texto.
O documento também destaca que se trata da primeira ação articulada do bloco. “Anunciamos hoje a primeira ação conjunta para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, afirma o comunicado oficial.
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“Para facilitar esses objetivos”, os signatários anunciaram que será feita uma solicitação formal ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), firmado em 1947. Criado no início da Guerra Fria como instrumento de combate ao comunismo, o Tiar possibilita a formação de um órgão consultivo para coordenar a resposta regional.
O recurso ao Tiar, no entanto, representa um obstáculo potencial. Trata-se de um instrumento de segurança vinculado à OEA e anterior ao próprio Escudo das Américas, em um fórum onde países como Brasil e México costumam se opor às iniciativas conduzidas por Washington.
Origem e expansão da aliança
O Escudo das Américas foi criado em março por iniciativa do presidente Donald Trump e reúne seus aliados conservadores no continente. A coalizão ganhou novos integrantes recentemente: Peru, Chile e Colômbia aderiram ao grupo, que agora soma 15 países signatários.
Modelo norte-americano de sanções
Os Estados Unidos já dispõem há décadas de instrumentos econômicos e jurídicos para sancionar grupos armados, empresários e figuras políticas considerados inimigos de seus interesses. Washington mantém uma “lista negra” de indivíduos e empresas impedidos de acessar o sistema financeiro ou empresarial norte-americano. O diferencial agora é a tentativa de replicar esse modelo em escala continental.
Trump na ONU e o uso da força militar
Na Assembleia Geral da ONU, Trump reforçou o tom assertivo. “Os Estados Unidos não permitirão mais que as ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental”, declarou. “Caso necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual.”
A retórica encontra respaldo em ações concretas. Há um ano, o Pentágono conduz uma campanha sem precedentes contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico, utilizando drones e ataques aéreos. A ofensiva já resultou em mais de 200 mortos.
Líderes reunidos para o lançamento do “Escudo das Américas”. 07/03/2026 (Roberto Schmidt/Getty Images)
Cooperação transfronteiriça em alta
Nos últimos meses, a cooperação entre países vizinhos se intensificou. Equador e Colômbia vêm protagonizando missões conjuntas, e as deportações de supostos criminosos entre nações fronteiriças também registram crescimento.
Apesar do avanço na articulação, o comunicado ressalta uma ressalva importante: cada país deverá aplicar o arsenal de sanções e medidas retaliatórias “de acordo com a sua legislação”.