Esquema de compra de votos com cocaína é desmascarado em Timbé do Sul, Santa Catarina
Investigação da Polícia Civil de Santa Catarina revelou compra de votos com cocaína em Timbé do Sul, prática reconhecida como corrupção eleitoral
Por ContraFatos 05/06/2026 Atualizado em 05/06/2026
Grupo chamava cocaína de “moeda branca” • OPAS
Eleitores recebiam porções de cocaína avaliadas em R$ 50 como pagamento por votos em candidato a vereador
Um candidato a vereador de Timbé do Sul, no Sul de Santa Catarina, é apontado como beneficiário direto de um esquema de compra de votos em que o pagamento era feito com porções de cocaína no valor de R$ 50 cada. A revelação, divulgada nesta quinta-feira (4), é resultado de uma investigação conduzida pela Polícia Civil catarinense.
Como o esquema foi descoberto
A trama começou a ser desvendada entre 2021 e 2022, quando policiais já apuravam crimes de tráfico de drogas no município. Durante essa outra investigação, um dos suspeitos foi preso em flagrante. Foi a análise do celular apreendido com o homem que abriu caminho para a descoberta do esquema eleitoral.
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No aparelho, os agentes encontraram conversas detalhando negociações com eleitores. O suspeito solicitava fotos dos títulos eleitorais e propunha o valor de R$ 50 por cada voto direcionado ao candidato. O pagamento, contudo, não era realizado em espécie. As porções de cocaína substituíam o dinheiro e eram chamadas pelo grupo de “moeda branca”.
Eleitores confirmaram a prática em depoimento
Ouvidos pelas autoridades, eleitores admitiram ter enviado documentos pessoais e recebido o equivalente ao valor combinado em drogas antes do dia da eleição. Os relatos reforçaram as evidências já reunidas a partir das mensagens extraídas do celular.
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Candidato sabia do esquema, aponta a Polícia Civil
De acordo com a Polícia Civil, o cruzamento de informações e as mensagens trocadas entre o traficante e o então candidato indicaram que o político tinha conhecimento da operação e seria o beneficiário direto dos votos obtidos por meio do esquema de corrupção eleitoral.
O caso foi levado à Justiça Eleitoral, que reconheceu a prática como corrupção e determinou a penalização dos envolvidos. O nome do político, no entanto, não foi divulgado pelas autoridades.