Esquema de propinas no INSS usava codinomes como ‘Heróis’ e ‘Notáveis’ para identificar beneficiários
Relatório da PF revela codinomes usados por investigados para registrar pagamentos de propinas no esquema de fraudes do INSS
Por ContraFatos 15/07/2026 Atualizado em 15/07/2026
Foto: Divulgação
Relatório da Polícia Federal com 839 páginas revela planilha com apelidos usados para registrar pagamentos ilícitos a agentes públicos e políticos
Uma rede de codinomes era utilizada por investigados do suposto esquema de fraudes no INSS para controlar a distribuição de propinas mensais a agentes públicos e políticos. O detalhamento consta de um relatório de 839 páginas elaborado pela Polícia Federal, conforme informações divulgadas pelo canal CNN Brasil.
Operador financeiro movimentou mais de R$ 312 milhões
A planilha com os apelidos é atribuída ao operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos, identificado pela PF como um dos principais responsáveis pela movimentação dos recursos desviados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação aponta que ele e sua mulher controlavam empresas que receberam mais de R$ 312 milhões, utilizadas para distribuir vantagens indevidas aos envolvidos no esquema.
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Codinomes classificavam beneficiários como ‘Heróis’, ‘Notáveis’ e ‘Amigos’
Segundo a Polícia Federal, os beneficiários do esquema eram classificados sob categorias como “Heróis”, “Notáveis” e “Amigos”, considerados peças essenciais para a continuidade da fraude. Os codinomes identificados no relatório são os seguintes:
“Herói V” — atribuído ao ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
“Herói A” — referente ao ex-diretor de Benefícios André Paulo Felix Fidelis;
“O Italiano” — associado ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto;
“O Ministro”, “São Paulo” e “Abou Yasser” — atribuídos ao ex-ministro da PrevidênciaJosé Carlos Oliveira;
“O servidor do INSS” — referente ao servidor Rogério Soares de Souza.
Deputado federal teria recebido R$ 14,7 milhões em repasses
O relatório detalha os valores que cada investigado teria recebido ao longo do esquema. De acordo com a PF, o deputado federal Euclydes Pettersen foi o mais beneficiado entre os citados, com pelo menos R$ 14,7 milhões em repasses.
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Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho teria acumulado R$ 6,5 milhões, enquanto André Fidelis recebeu cerca de R$ 3,4 milhões. Já Alessandro Stefanutto teria obtido aproximadamente R$ 900 mil, além de pagamentos mensais que chegavam a R$ 250 mil.
O servidor Rogério Soares também é apontado como destinatário recorrente de propinas, que eram ocultadas por meio de contas de terceiros, segundo o documento da Polícia Federal.