Esquerdista Petro bloqueia posse de sucessor em instalação militar e aprofunda crise na transição colombiana
Gustavo Petro proíbe uso de instalação militar para posse de Abelardo de la Espriella e agrava crise na transição de governo na Colômbia
Por ContraFatos 13/07/2026 Atualizado em 13/07/2026
Gustavo Petro Foto: EFE/EPA/Presidency of Colombia
Ex-guerrilheiro esquerdista usa poderes presidenciais para impedir cerimônia fora do Congresso, em mais um gesto que eleva tensões na Colômbia
A transição de poder na Colômbia vive um momento de crescente instabilidade. O presidenteGustavo Petro, ex-guerrilheiro de orientação esquerdista que se aproxima do fim de seu mandato, vetou o uso de qualquer instalação militar para a cerimônia de posse do presidente eleito, o direitista Abelardo de la Espriella, prevista para 7 de agosto. A decisão, anunciada no domingo, 12 de julho, reforça um padrão de atitudes que críticos classificam como antidemocráticas.
Vice-presidente eleito propôs cerimônia em guarnição militar
O estopim do novo confronto foi uma declaração do vice-presidente eleito, José Manuel Restrepo, à revista colombiana Semana. Restrepo revelou que a equipe de Espriella planejava realizar a posse “em uma guarnição militar”. A escolha, segundo ele, seria “uma demonstração muito importante de reconhecimento aos membros das forças de segurança pública”.
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A resposta de Petro veio por meio de publicação no X. “Exercendo meus poderes constitucionais e legais, ordeno que nenhuma instalação militar sirva de local para a posse de um Presidente da República da Colômbia”, escreveu o mandatário.
Petro alega que Constituição exige posse no Congresso
Em nova publicação, o presidente colombiano argumentou que a transferência de comando é disciplinada pela Constituição e pelas leis do país. Para Petro, a posse deve ocorrer no Congresso da República, “onde as leis para o povo — e não para máfias ou estrangeiros — devem ser debatidas”.
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O mandatário também afirmou que “leis não são feitas em quartéis; ações de segurança e defesa do povo e de suas vidas são realizadas ali”. De fato, o artigo 192 da Constituição colombiana determina que o presidente da República deve tomar posse perante o Congresso.
Contexto de ruptura: Petro se recusa a reconhecer legitimidade do sucessor
O veto à posse em instalação militar não é um episódio isolado. A relação entre Petro e Espriella já havia chegado a um ponto crítico na terça-feira anterior, 7 de julho, quando o presidente eleito suspendeu o processo de transição de governo.
A suspensão foi motivada por uma declaração de Petro na qual ele afirmou que não reconheceria a legitimidade do governo de seu sucessor. O presidente alegou que houve manipulação de algoritmos durante a apuração do segundo turno da eleição presidencial, realizado em junho. Segundo ele, o resultado teria sido alterado para favorecer a vitória de Espriella sobre o candidato governista, o senador Iván Cepeda.
Atitude antidemocrática marca o fim do governo Petro
A vitória do direitista Abelardo de la Espriella encerrou o ciclo do governo Petro na Colômbia. No entanto, o ex-guerrilheiro esquerdista tem utilizado os últimos dias de mandato para dificultar a transição democrática, seja contestando o resultado eleitoral sem provas conclusivas, seja criando obstáculos práticos à cerimônia de posse do sucessor. A sequência de gestos aprofunda a crise institucional no país e coloca em xeque o compromisso do atual governo com os princípios democráticos.