Abandono do caráter técnico é o ponto central da crítica
O editorial reconhece que não é novidade presidentes em exercício utilizarem a máquina pública a seu favor quando buscam a reeleição. Entretanto, o que diferencia a situação atual é o comportamento da área econômica do governo.
“Nenhuma novidade: presidentes em busca da reeleição usam descaradamente a máquina em seu favor. O que chama a atenção é a atitude da equipe econômica – que abandonou a discrição que deveria ter em razão do caráter técnico de sua atividade e passou a atuar abertamente como um braço da campanha do petista”, destaca o Estadão.
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Entrar no grupo Esse é o cerne da acusação feita pelo jornal: a equipe econômica de Lula teria, na expressão do editorial, “perdido o pudor” ao abrir mão de qualquer pretensão de neutralidade técnica.
Estudos do Ministério do Planejamento são classificados como ‘negacionismo econômico’
O texto do Estadão menciona ainda documentos elaborados pelo Ministério do Planejamento e Orçamento que, segundo o jornal, representam “a essência do negacionismo econômico lulopetista”.
Entre os materiais citados está um estudo intitulado “Impacto de medidas de crédito no emprego, renda e arrecadação: uma abordagem via matriz insumo-produto”. De acordo com o editorial, o documento enaltece “o efeito multiplicador em termos de desenvolvimento econômico e social de ações como a expansão do Minha Casa Minha Vida, o Reforma Casa Brasil, os financiamentos subsidiados para aquisição de caminhões, ônibus e veículos e as linhas de créditos para a indústria e bens de capital verdes, ao mesmo tempo em que menospreza os riscos que essas medidas impõem às contas públicas”.
Lógica ‘tortuosa’ da gestão fiscal
O editorial classifica o raciocínio da equipe econômica como “tortuoso”. Mesmo considerando hipoteticamente que a intenção do governo não fosse estimular o consumo por motivações eleitorais, o jornal questiona os impactos dessas políticas sobre o equilíbrio das contas públicas.
A crítica do Estadão se insere num contexto em que programas governamentais de crédito e habitação ganham protagonismo na agenda do Planalto, enquanto analistas e o mercado financeiro observam com atenção crescente a trajetória fiscal do país sob o terceiro mandato de Lula.