Estadão aponta contradição de Fachin ao não reprovar quebra de sigilo de fonte jornalística
Editorial do Estadão classifica como frustrante a posição de Fachin ao não reprovar decisão de Moraes sobre quebra de sigilo de fonte jornalística
Por ContraFatos 15/08/2026 Atualizado em 15/08/2026
| Foto: Luiz Silveira / STF
Editorial do jornal classifica como “frustrante” posição do presidente do STF sobre caso envolvendo decisão de Alexandre de Moraes
Um editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado, 15, dirigiu críticas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministroEdson Fachin, por ter se manifestado publicamente sobre o sigilo de fonte sem, no entanto, condenar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que levou à identificação da fonte de um jornalista.
O caso que originou a polêmica
A controvérsia gira em torno do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. Em março, a Polícia Federal cumpriu uma ordem de Moraes e apreendeu equipamentos do profissional. A operação foi deflagrada após ele publicar uma reportagem que revelava o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pelo ministro Flávio Dino e seus familiares.
Leitura
A investigação acabou remetida a Moraes sob o argumento de suposta conexão com o inquérito das fake news. A partir daí, chegou-se ao nome de Raimundo Cutrim, apontado como a fonte do jornalista.
Justificativa de Moraes e a contestação do jornal
Ao autorizar a medida, Alexandre de Moraes sustentou que “nenhuma garantia constitucional, inclusive o sigilo da fonte, pode ser instrumento de impunidade criminal”. O editorial do Estadão contesta frontalmente esse argumento. Na visão do jornal, crimes eventualmente cometidos devem ser investigados por caminhos que não violem a proteção constitucional conferida às fontes jornalísticas.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Fachin defendeu sigilo, mas evitou censurar colega
O texto do Estadão classifica como “frustrante” a primeira manifestação pública de Fachin sobre o episódio. Embora o presidente do STF tenha reafirmado o sigilo da fonte como garantia constitucional, o editorial sustenta que ele incorreu em contradição ao não reprovar diretamente a atuação de Moraes. Para o jornal, Fachin tentou conciliar posições que são incompatíveis entre si.
Críticas ao inquérito das fake news e aos demais ministros
O editorial também questiona a tramitação do caso no Supremo e dirige críticas à duração do inquérito das fake news, instaurado há mais de sete anos. Na avaliação do jornal, o procedimento se transformou em um instrumento que passou a concentrar investigações relacionadas a supostas ameaças ou ataques contra integrantes da Corte.
O texto ainda acusa os demais ministros do tribunal de omissão diante do episódio. Diversas entidades de imprensa também já se manifestaram contra a ação que comprometeu o sigilo de fonte do jornalista.