Estrangeiros fogem da bolsa e Ibovespa entra em tombo histórico no pior maio em anos
Investidores estrangeiros retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa em maio, derrubando o Ibovespa em 7,22% no pior mês desde 2023
Por ContraFatos 30/05/2026 Atualizado em 30/05/2026
Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira | Foto: Reprodução/Pixabay
Ibovespa acumula queda de mais de 7% em maio e iguala recorde negativo de 2004 em semanas consecutivas de perdas
O mês de maio se consolidou como o mais turbulento para o mercado acionário brasileiro em mais de dois anos. Até o dia 27, investidores estrangeiros retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa de valores, provocando uma sangria que empurrou o Ibovespa para uma queda acumulada de 7,22% — o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.
Sete semanas seguidas no vermelho: recorde que não se via desde 2004
Na sexta-feira, 29, o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,73%, fechando em 173.787,49 pontos. Com esse resultado, o Ibovespa completou sete semanas consecutivas de perdas — uma sequência negativa que não era registrada desde 2004, igualando um recorde histórico desfavorável.
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Enquanto as ações despencavam, o câmbio seguiu na direção oposta. O dólar comercial avançou 0,24% no pregão e encerrou vendido a R$ 5,0453, com valorização acumulada de 1,82% ao longo do mês.
Descontrole fiscal e incerteza política afugentam o capital internacional
A combinação de deterioração das contas públicas, aceleração dos gastos do governo federal em período pré-eleitoral e o ritmo lento de cortes na taxa Selic pelo Banco Central criou um ambiente hostil para o mercado financeiro local. O capital estrangeiro optou por migrar para mercados considerados mais seguros e rentáveis, direcionando recursos principalmente para papéis de empresas de tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia.
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O sinal de alerta nas instituições financeiras internacionais se intensificou. O banco suíço UBS rebaixou a recomendação das ações do Brasil de atrativas para neutras. Segundo os analistas da instituição, a piora na relação entre risco e retorno deve travar os ganhos na bolsa brasileira até pelo menos a realização das eleições majoritárias, previstas para outubro.
Itaú BBA confirma tendência de queda livre
Os analistas do Itaú BBA corroboraram o cenário pessimista ao confirmar que o Ibovespa entrou em tendência de queda livre no curto prazo. De acordo com os técnicos, caso o índice rompa o patamar de 173.500 pontos nos próximos pregões, as perdas podem se tornar ainda mais severas, ampliando a erosão dos lucros dos investidores que permaneceram posicionados no mercado doméstico.
O panorama atual reflete um cenário em que a fuga de investidores estrangeiros, aliada à fragilidade fiscal e à instabilidade política, coloca o mercado acionário brasileiro em uma posição de crescente vulnerabilidade.