Tesouro americano aguarda aval de Marco Rubio para retomar punições com base na Lei Magnitsky
Enquanto o STF enfrenta o que analistas internacionais classificam como a maior crise de credibilidade desde a redemocratização, os Estados Unidos já teriam um rascunho pronto para aplicar novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e integrantes da Corte considerados seus aliados. A informação dá conta de que o Tesouro americano elaborou o documento com base na Lei Magnitsky e aguarda o posicionamento oficial do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
As sanções poderiam ter impacto amplo, alcançando não apenas o ministro, mas também o sistema financeiro brasileiro e diversas empresas. Vale lembrar que, em 2025, Moraes e sua mulher, Viviane Barci, já haviam sido alvo de punições americanas, mas as medidas foram rapidamente suspensas após negociação do governo Lula com Washington. Na ocasião, nem o ministro nem o país chegaram a sentir o impacto pleno da legislação.
Repercussão internacional coloca o Brasil sob os holofotes
A crise institucional brasileira ganhou dimensão global. A agência britânica Reuters classifica o episódio como o maior teste à credibilidade do STF desde a redemocratização. O Financial Times, também do Reino Unido, ressalta o envolvimento da Corte no escândalo do Banco Master, estimado em cerca de 10 bilhões de dólares.
Na imprensa francesa, o Le Monde descreve a situação como um escândalo político-financeiro que abala o Supremo Tribunal Federal. Já a emissora catari Al Jazeera destaca o conflito aberto entre ministros da Corte, as suspeitas de corrupção, a parcialidade política e a interferência na Polícia Federal.
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Sessão histórica no STF: onde acompanhar ao vivo
O plenário do STF se reuniu a partir das 10h desta terça-feira (15), com transmissão aberta ao público. Quem quis acompanhar ao vivo teve opções em televisão, rádio e plataformas digitais:
- Quando: a partir das 10h
- Transmissão: Band.com.br, BandNews TV, Bandplay, YouTube de Band Jornalismo, rádios Bandeirantes e BandNews FM.
O momento foi descrito como histórico, em que o Brasil esperava que as instituições não virassem as costas para o país. As instituições existem para servir à República, e não para se servir dela — seja por meio de todos os tipos de benesses que só se viam na antiga realeza, de salários elevadíssimos ou até mesmo da ideia de que estão acima da Constituição.
O que está em jogo vai além do STF
A preocupação com o desenrolar dos acontecimentos não se restringe ao Supremo. Alcança também o Senado, o Congresso e o Executivo brasileiro. No centro do debate está uma pergunta fundamental: o artigo 5º da Constituição é realmente válido? Todos os brasileiros são, de fato, iguais perante a lei?
Moraes e Mendonça se posicionam antes do julgamento
Antes da sessão, Alexandre de Moraes quebrou o silêncio e negou conversas com Daniel Vorcaro, classificando as acusações como “diálogos fantasiosos” e apontando que 90,4% das anotações do bloco de notas do banqueiro sequer constavam em chats reais do WhatsApp.
Em petição encaminhada à Presidência do STF, Moraes acusou Mendonça de agir com fins eleitorais e sustentou que o julgamento representa uma tentativa de “vingança” por parte de aliados dos condenados pelo 8 de janeiro.
Por sua vez, o ministro André Mendonça prestou esclarecimentos a Fachin sobre a Operação Compliance Zero, afirmando ter ouvido delegados em seu gabinete por cautela após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da PF e do PGR em anotações do empresário.
Fachin determina abertura do sigilo do Caso Master
A crise no STF ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.
A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal detalhando a frequência de mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Também revelou o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.
Tensão interna escala com disputa por transparência total
Na sexta-feira (11), o clima dentro do STF ficou ainda mais acirrado. Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos ligados ao caso. Moraes acusou Mendonça de realizar uma “escolha seletiva” na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos.
Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso. O ministro rebateu as acusações, negou ter ocultado documentos e classificou a tabela apresentada como “imprestável”, esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.
Fachin mantém julgamento e define rito da sessão
Apesar de o ministro Gilmar Mendes ter sugerido adiamento, Edson Fachin decidiu, no sábado (12), manter o julgamento extraordinário. O presidente da Corte negou o pedido para julgar Mendonça junto de Moraes na próxima semana, pautando o processo contra Mendonça para 23 de setembro.
Fachin também assumiu a relatoria de procedimento que envolve Moraes no Caso Master e confirmou que a sessão teria transmissão ao vivo.
Na segunda-feira (14), o STF definiu o rito da sessão sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes. O passo a passo regimental prevê: leitura do relatório por André Mendonça, manifestações da PGR, sustentações orais, votação individual dos ministros e proclamação do resultado por Fachin.
Para conter a tensão no Plenário, Fachin avaliou separar fisicamente Mendonça e Moraes na bancada dos ministros. O esquema de segurança na Praça dos Três Poderes foi reforçado com fechamento de vias e monitoramento por drones.
Força-tarefa analisa celular de Vorcaro para confrontar relatório
Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a PF enviou os dados do celular de Vorcaro aos ministros Zanin, Gilmar e Moraes. As equipes dos três gabinetes montaram uma força-tarefa para vasculhar o aparelho e confrontar Mendonça. O objetivo era mapear interações e verificar se houve omissões no relatório inicialmente apresentado ao plenário.
Coaf, rede de pagamentos e novas frentes de investigação
Ainda na segunda (14), Mendonça atendeu a Fachin e derrubou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após a PGR apoiar o novo pedido de abertura de sigilo. No mesmo dia, o Coaf apontou transações do Caso Master envolvendo autoridades com foro privilegiado, informando ter segregado dados de autoridades do STJ e do STF por restrições legais.
Ramificações políticas e revelações da Polícia Federal
O vasto acervo revelado trouxe informações contundentes. A PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli. Um grupo de policiais estaria recebendo pagamentos para violar sistemas. E a cúpula da supervisão do Banco Central teria prestado consultoria a Vorcaro.
Além disso, relatórios da Polícia Federal indicaram que aliados de Vorcaro acionaram o PCC para protegê-lo na prisão após sua detenção em novembro de 2025.
No campo político, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse. A PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas a um fundo nos Estados Unidos. O presidente Lula, logo após a determinação da queda do sigilo na quinta-feira (10), declarou que se Moraes e Mendonça forem culpados, eles têm de pagar.
