EUA suspendem atendimentos na embaixada e consulados no Brasil por questões de segurança
Embaixada e consulados dos EUA no Brasil suspenderam atendimentos presenciais por questões de segurança em meio a tensões diplomáticas e comerciais entre os países
Por ContraFatos 02/10/2026 Atualizado em 02/10/2026
(Reprodução/Reprodução)
Representações diplomáticas americanas em cinco cidades brasileiras fecharam as portas nesta sexta-feira sem detalhar as razões da medida
As operações presenciais da embaixada dos Estados Unidos em Brasília e dos consulados no Brasil foram paralisadas nesta sexta-feira, 2. O anúncio, feito na véspera, citou questões de segurança como justificativa, mas o governo americano não ofereceu maiores explicações sobre os motivos específicos da decisão.
Quais unidades foram afetadas
Além da embaixada na capital federal, a suspensão abrange as representações diplomáticas localizadas em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Os funcionários dessas unidades foram orientados a trabalhar de casa. Cidadãos americanos que necessitem de assistência devem entrar em contato com o oficial de plantão responsável, sem comparecer às instalações diplomáticas.
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Classificação de risco do Brasil permanece inalterada
Apesar da suspensão dos atendimentos, o Departamento de Estado não modificou a classificação de risco atribuída ao Brasil. O país segue no nível 2 dentro de uma escala que vai até 4, embora determinadas áreas específicas possuam uma classificação mais elevada.
Embaixada foi alvo de pichações e protesto no mês passado
Em episódio recente, os muros da embaixada americana em Brasília foram pichados. Uma bandeira dos Estados Unidos foi queimada e outros materiais foram depositados na calçada em frente à representação diplomática.
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Com alguns erros ortográficos, a frase “Os Estados Unidos fazem guerra e lucram com a morte” foi escrita em inglês e português. Um cartaz exibia os dizeres “indústria da guerra dos EUA = mortes, fome e destruição da natureza”. Objetos semelhantes a ossos também foram espalhados diante do edifício.
A perícia constatou um princípio de incêndio já extinto no local e recolheu cartazes e outros materiais utilizados no protesto.
Tensão comercial e diplomática entre Brasil e EUA
O incidente na embaixada aconteceu em meio a um período de atrito crescente entre Brasília e Washington. Em julho, o governo do presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, resultado de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. As novas tarifas passaram a valer em 22 de julho.
O desgaste ultrapassou a esfera comercial e atingiu diretamente as relações diplomáticas. Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, no contexto de um impasse envolvendo a concessão do agrément ao diplomata americano Daniel Perez, indicado por Trump para chefiar a embaixada em Brasília e conhecido por sua proximidade com Rubio.
O governo brasileiro ainda não concedeu a autorização necessária para que Perez assuma oficialmente o posto. Brasília também criticou a decisão de Washington de tornar pública a indicação antes de obter a aprovação do lado brasileiro.