Ex-juíza da Lava Jato Gabriela Hardt é afastada por dois anos pelo CNJ
CNJ determinou afastamento de dois anos da juíza Gabriela Hardt e prorrogou processo sobre acordo bilionário da Lava Jato com a Petrobras
Por ContraFatos 04/08/2026 Atualizado em 04/08/2026
Foto: Gil Ferreira/ agência CNJ
Conselho Nacional de Justiça também prorrogou por 180 dias o inquérito sobre acordo bilionário da força-tarefa com a Petrobras
A juíza federal Gabriela Hardt, que ocupou a titularidade da 13ª Vara Federal de Curitiba como substituta de Sergio Moro durante a Operação Lava Jato, foi afastada de suas funções por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A suspensão, determinada nesta terça-feira, 4, terá duração de dois anos.
Na mesma sessão, o colegiado decidiu estender por mais 180 dias o processo administrativo disciplinar instaurado contra a magistrada. A investigação gira em torno de supostas irregularidades na homologação de um acordo bilionário celebrado com a Petrobras.
Leitura
Acordo com a Petrobras e a criação de fundação privada
O caso tem origem em 2018, quando a Petrobras firmou um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar investigações internacionais. Parte dos valores arrecadados nesse entendimento deveria ser transferida ao Brasil.
Em janeiro de 2019, Hardt homologou um acerto entre a força-tarefa da Lava Jato e a estatal, prevendo a destinação de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para a constituição de uma fundação privada com sede em Curitiba. A entidade ficaria encarregada de administrar os recursos.
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De acordo com o CNJ, uma inspeção conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça em 2024 revelou possíveis falhas no processo de homologação do acordo, o que levou à abertura do procedimento disciplinar.
Entre os questionamentos levantados, destaca-se o fato de a destinação dos valores ter sido definida sem qualquer participação da União. Havia ainda preocupação com a possibilidade de integrantes da força-tarefa exercerem influência direta sobre a gestão da fundação que seria criada.
Intervenção do STF e defesa da magistrada
Antes que a fundação chegasse a ser constituída, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão dos efeitos do acordo e impediu a transferência dos valores.
O processo disciplinar em curso busca apurar se Gabriela Hardt atuou de forma articulada para viabilizar o acerto. A magistrada nega ter cometido qualquer irregularidade.