Uma das estratégias centrais do esquema era gerar sensação de urgência. Os criminosos se aproveitaram de mudanças nas regras de envio de dados de transações Pix à Receita Federal para pressionar as vítimas a agir rapidamente, sem verificar a autenticidade das mensagens.
Identidade visual do governo reproduzida com precisão
O levantamento do TCU apontou que 83,2% dos anúncios veiculados nas redes sociais reproduziam logotipos oficiais, paleta de cores do governo federal e artes institucionais de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal. A sofisticação visual tornava as peças praticamente indistinguíveis de comunicações governamentais reais.
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Entrar no grupo Além disso, os golpistas recorreram a ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens e vozes de lideranças políticas, dando ainda mais credibilidade às fraudes. Os anúncios simulavam a divulgação de benefícios públicos e incluíam fotos de pessoas em filas de agências bancárias como recurso de convencimento.
Aposentados e famílias de baixa renda são os alvos principais
As fraudes relacionadas ao Desenrola Brasil passaram a circular a partir de 7 de julho de 2024. As mensagens prometiam “limpar o nome” de inadimplentes e, para isso, solicitavam dados pessoais e o pagamento de taxas por meio de Pix.
Já os golpes envolvendo o programa Voa Brasil começaram a aparecer em 25 de julho de 2024. Nesse caso, os anúncios eram direcionados especificamente a aposentados do INSS. A rede criminosa também disseminou propagandas falsas sobre valores a receber e serviços do Banco Central.
Segundo o alerta do TCU, a modalidade criminosa atinge de forma desproporcional aposentados e famílias de baixa renda. As informações pessoais fornecidas pelas vítimas eram utilizadas em clonagem de cartões e fraudes no WhatsApp. Em diversos casos, as pessoas chegaram a transferir dinheiro diretamente via Pix para contas controladas pelas facções criminosas.
Esquema revela nova fronteira do crime organizado
A descoberta do TCU evidencia a migração das grandes organizações criminosas brasileiras para o ambiente digital. O uso combinado de engenharia social, inteligência artificial e identidade visual governamental representa um novo patamar de sofisticação nas operações do PCC e do Comando Vermelho, que tradicionalmente são conhecidos pelo domínio do tráfico de drogas e do controle territorial em presídios e comunidades.