Facções CV e PCC já atuam em mais estados brasileiros do que o McDonald’s possui restaurantes
Facções CV e PCC já atuam em 25 estados e no DF, superando a cobertura territorial do McDonald's no Brasil, segundo o Ministério da Justiça
Por ContraFatos 07/06/2026 Atualizado em 07/06/2026
Território ocupado pelo CV em Belém do Pará Foto: EFE/ Sebastiao Moreira
Dados do Ministério da Justiça revelam que as duas maiores organizações criminosas do país superam a cobertura geográfica da maior rede de fast-food do mundo
Uma comparação inusitada, mas reveladora, expõe o nível de expansão das organizações criminosas pelo território nacional. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções do Brasil, já marcam presença em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal, segundo informações do Mapa das Organizações Criminosas do Ministério da Justiça. O único estado fora do radar de ambas é o Rio Grande do Sul, que possui dinâmicas criminosas locais próprias.
McDonald’s fica atrás na cobertura territorial
Para se ter uma dimensão do alcance dessas organizações, basta observar que o McDonald’s, presente no país desde 1979 e com mais de mil restaurantes, opera em apenas 23 estados e no DF. A rede de fast-food não possui unidades no Acre, Amapá e Roraima, conforme informações do portal Poder360. Ou seja, as facções criminosas cobrem mais território brasileiro do que a maior cadeia de lanchonetes do planeta.
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Bases históricas e áreas de influência
Apesar da expansão nacional, PCC e CV respeitam uma espécie de fronteira tácita em seus estados de origem. O PCC não atua no Rio de Janeiro, e o CV não está presente em São Paulo. Essas limitações refletem as raízes históricas de cada organização e as disputas de poder que moldaram suas trajetórias.
Classificação como organizações terroristas
O alcance, o impacto social e o modus operandi dos dois grupos chamaram a atenção da comunidade internacional. O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou tanto o PCC quanto o CV como “organizações terroristas estrangeiras”, o que impõe sanções e restrições a qualquer pessoa ou entidade que colabore com essas facções.
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O Primeiro Comando da Capital nasceu em 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, em São Paulo. Seu discurso fundador alegava o combate aos abusos do sistema prisional, especialmente após o Massacre do Carandiru. Ao longo de três décadas, a organização se transformou em uma estrutura altamente hierarquizada, comparável a uma corporação multinacional. Estima-se que o PCC conte com cerca de 40 mil integrantes e registre um faturamento anual da ordem de R$ 6 bilhões. Suas operações dominam rotas internacionais de tráfico na Bolívia, Paraguai e Colômbia.
CV: poder descentralizado nas favelas
Já o Comando Vermelho surgiu no final da década de 1970 dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, no Rio de Janeiro. A organização nasceu da convivência entre presos comuns e detentos que combatiam o regime militar. Diferentemente do PCC, o CV se estruturou de forma descentralizada. A partir dos anos 1980, o grupo expandiu seu poder econômico por meio da rota internacional da cocaína e consolidou domínio territorial, especialmente sobre favelas cariocas.