Faesp repudia sobretaxa dos EUA e questiona diplomacia do governo Lula nas relações comerciais
Faesp critica a gestão diplomática do governo Lula após os EUA imporem sobretaxa de 12,5% sobre exportações brasileiras e cobra reação do Executivo
Por ContraFatos 24/07/2026 Atualizado em 24/07/2026
Reprodução
Federação paulista cobra resposta enérgica do Executivo e aponta falhas na condução das negociações internacionais
A imposição de uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre as exportações brasileiras pelos Estados Unidos gerou forte reação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). Anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA, a medida passou a tributar setores que antes estavam isentos e elevou a taxação de alguns produtos para até 37,5%.
Setor produtivo agiu para conter danos, diz Faesp
De acordo com a federação, a atuação direta do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços foi determinante para que alguns produtos fossem incluídos na lista de exceções da nova medida. A entidade avaliou que o setor produtivo se mobilizou para minimizar os impactos da decisão americana, assumindo um protagonismo que, na visão da Faesp, deveria ter sido exercido de forma mais contundente pelo governo federal.
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Críticas à diplomacia do governo Lula
A Faesp afirmou que a diplomacia brasileira não tratou o tema com a devida prioridade. A entidade cobrou uma reação firme do Executivo e criticou a gestão diplomática conduzida pelo governo Lula diante das barreiras comerciais impostas por parceiros internacionais.
Além da sobretaxa norte-americana, a federação paulista ressaltou que outros países também mantêm entraves contra produtos brasileiros. Como exemplo, citou a sobretaxa de 55% aplicada pela China sobre a carne bovina do Brasil, reforçando a percepção de que o país enfrenta um cenário adverso em múltiplas frentes comerciais.
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Faesp rejeita acusações de trabalho forçado e defende práticas do agronegócio
A entidade rejeitou com veemência as insinuações de uso de trabalho forçado no Brasil. A Faesp destacou os 200 anos de relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que o agronegócio brasileiro segue parâmetros rigorosos de compliance e regras ESG — conjunto de práticas que medem o compromisso de uma empresa com o meio ambiente (environmental), a sociedade (social) e a governança (governance).
Diálogo diplomático sim, reciprocidade tarifária ainda não
A federação defendeu o uso imediato dos canais de diplomacia comercial para restabelecer a concorrência leal entre os dois países. Segundo a entidade, ainda há espaço para um diálogo firme entre Brasil e EUA. Por outro lado, a Faesp avaliou que o momento não exige a ativação da Lei de Reciprocidade Econômica.
Dados indicam que o comércio entre os dois países registrou queda de quase 13% no primeiro semestre, evidenciando o impacto das tensões comerciais na relação bilateral.