Paralisação das atividades e sinais de abandono motivaram decisão
A indústria já não produzia desde maio de 2026. Com a falência oficializada, a administradora judicial Recupere assumiu a responsabilidade de identificar, reunir e avaliar todos os bens pertencentes à Três Irmãos. Parte desse patrimônio poderá ser levada a leilão futuramente, e os valores obtidos serão destinados ao pagamento dos credores, seguindo as regras do processo falimentar.
A Justiça determinou ainda a expedição urgente de mandados para lacrar tanto a fábrica matriz quanto as filiais da companhia localizadas em Santa Catarina.
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Entrar no grupo Tentativa de venda de bens não impediu o colapso
Antes da decretação da falência, a fabricante de móveis já tentava encontrar saídas para conter a deterioração financeira. Em abril, a companhia colocou à venda imóveis e equipamentos industriais avaliados em cerca de R$ 7 milhões. A medida foi tomada no contexto da recuperação judicial, aberta em 2024, quando a empresa buscava reorganizar suas dívidas e manter as operações diante das dificuldades enfrentadas especialmente no mercado externo.
A estratégia, contudo, não surtiu efeito. A situação financeira da Três Irmãos continuou piorando. Em junho, o Ministério Público solicitou a conversão da recuperação judicial em falência. A Justiça acatou o pedido após identificar irregularidades consideradas graves no decorrer do processo, conforme apurou o Portal Tempo Novo.
Falta de prestação de contas e pendências fiscais pesaram na decisão
Diversos problemas foram elencados na decisão que decretou o encerramento das atividades. Entre eles, destacam-se:
- Não pagamento de valores que deveriam ter sido quitados durante a recuperação judicial, com pendências de aproximadamente R$ 210 mil, além de outros € 175 mil;
- Ausência de comprovação adequada sobre a destinação de R$ 3,25 milhões obtidos com a venda de ativos autorizada judicialmente;
- Descumprimento de parcelamentos fiscais, incluindo acordos relativos ao ICMS com o Governo de Santa Catarina e débitos junto à Receita Federal;
- Retirada acelerada de máquinas de grande porte sem autorização judicial;
- Interrupção total das atividades em 14 de maio de 2026 e sinais evidentes de abandono do parque industrial.
Diante desse conjunto de fatores, o Judiciário concluiu que a recuperação judicial não tinha mais viabilidade.
De marcenaria de carroças a exportadora para a IKEA
A história da Três Irmãos começou em 1971, de forma bastante modesta. Inicialmente, funcionava como uma pequena marcenaria voltada à fabricação de carroças em Campo Alegre. Com o passar dos anos, a empresa migrou para a produção de móveis de madeira maciça e expandiu sua presença no mercado nacional e internacional.
Um marco importante na trajetória da companhia ocorreu a partir de 2009, quando passou a exportar produtos para a multinacional sueca IKEA. Nos anos seguintes, a Três Irmãos ampliou significativamente sua estrutura: em 2016, adquiriu uma planta industrial em Caçador e, em 2020, inaugurou um novo parque fabril em São Bento do Sul. No auge de sua expansão, a empresa mantinha cerca de 500 trabalhadores.
Pandemia e custos elevados derrubaram a competitividade
O cenário começou a se inverter com a chegada da pandemia de Covid-19. A partir de 2021, a logística internacional enfrentou graves perturbações, e o custo das exportações disparou. O preço do frete marítimo por contêiner chegou a atingir cerca de US$ 10 mil em determinados momentos — um golpe pesado para uma empresa com forte dependência do mercado externo.
Paralelamente, os custos de produção também subiram de forma expressiva. Insumos como MDF, colas, vernizes e outras matérias-primas essenciais à fabricação de móveis ficaram mais caros. A elevação dos juros pressionou ainda mais o caixa da companhia e restringiu o acesso ao crédito.
No cenário das exportações, o quadro também se agravou. Em 2023, as vendas externas do setor moveleiro catarinense registraram uma queda de 27,7%. A combinação de todos esses fatores aprofundou a crise da Três Irmãos, que recorreu à recuperação judicial no ano seguinte. A tentativa de reestruturação, porém, não foi suficiente para evitar a paralisação completa das fábricas e, por fim, a decretação da falência.