Casa de luxo e movimentações suspeitas
Segundo o documento, Lia Rachel teria ocultado a origem ilícita do dinheiro ao usar parte dos valores de propina para pagar o imóvel localizado no Condomínio Aldebaran Ville, em Teresina, capital do Piauí.
As investigações apontam que ao menos R$ 800 mil foram repassados de forma a dificultar o rastreamento dos recursos, provenientes da venda de decisões judiciais. Um dos casos sob apuração é o Agravo de Instrumento nº 0750602-73.2023.8.18.0000, de interesse do empresário João Antônio Francioni, suspeito de ter pago R$ 26 milhões para obter uma sentença favorável.
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Entrar no grupo O relatório detalha que os pagamentos pela casa foram feitos em parcelas associadas ao andamento das decisões no tribunal. O primeiro repasse, de R$ 300 mil, ocorreu em 30 de dezembro de 2022, antes mesmo da distribuição do processo ao gabinete do desembargador.
Após a distribuição, em 31 de janeiro de 2023, houve outro pagamento de R$ 150 mil, seguido de R$ 350 mil após a emissão de uma liminar, no dia 2 de fevereiro de 2023.
Controle do gabinete e influência direta
De acordo com depoimentos colhidos pela PF, Lia Rachel exercia forte influência no gabinete do pai, interferindo diretamente em decisões e na priorização de processos.
O ex-assessor João Gabriel Costa Cardoso, que trabalhou no gabinete entre 2021 e 2023, relatou que a advogada “mandava e desmandava” no setor e participava de reuniões semanais para definir estratégias e prioridades.
“Ela possui o poder de determinar quais processos devem receber atenção prioritária e, em alguns casos, de influenciar diretamente o desfecho das decisões”, cita o relatório da PF com base no depoimento do ex-assessor.
Esquema e intermediários
As operações financeiras eram realizadas pelo advogado Juarez Chaves de Azevedo Júnior, apontado como intermediário do esquema. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em outubro contra ele, Lia Rachel, o desembargador José James e outros empresários e advogados investigados.
As autoridades apuram lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de organização criminosa. A PF também investiga o possível envolvimento de outros magistrados e servidores na manipulação de processos relacionados a disputas fundiárias.
O Tribunal de Justiça do Piauí informou que colabora com as investigações e aguarda a conclusão do inquérito para definir medidas administrativas e disciplinares.