Filme sobre menino que usa vestido e maquiagem é o representante do Brasil no Oscar 2027
Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar 2027
Por ContraFatos 16/09/2026 Atualizado em 16/09/2026
, filme escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2027 | Foto: Biônica Filmes/Divulgação
Academia Brasileira de Cinema seleciona filme de Allan Deberton entre seis finalistas para disputar vaga na categoria de Melhor Filme Internacional
A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira, 16, que o longa-metragem Feito Pipa será o representante brasileiro na corrida por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2027. A produção, dirigida por Allan Deberton, conta a história de Gugu, um menino negro de 11 anos que vive no sertão do Ceará e tem afinidade com maquiagem, dança e vestidos.
O enredo: infância, rejeição e laços familiares
Interpretado por Yuri Gomes, Gugu foi criado pela avó Dilma, vivida por Teca Pereira. O garoto enfrenta a rejeição de seu pai, Batista, personagem de Lázaro Ramos. A convivência entre neto e avó é abalada quando Dilma começa a apresentar sinais de perda de memória.
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Diante dessa situação, Gugu faz de tudo para ocultar os problemas de saúde da avó. O medo do menino é claro: se a família descobrir o quadro de Dilma, ele poderá ser obrigado a morar com o pai, que o rejeita.
Roteiro inspirado em vivências reais no Nordeste
Além do drama familiar, o filme trata da construção de uma barragem que força moradores a abandonarem suas casas. O roteiro foi escrito por André Araújo, que se inspirou em sua própria infância como menino afeminado no interior do Nordeste, conforme relatou ao site Omelete.
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A comissão de seleção da Academia Brasileira de Cinema avaliou seis filmes finalistas antes de definir Feito Pipa como representante do país. Os outros cinco títulos na disputa eram: 100 Dias, de Carlos Saldanha; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.
Justificativa da comissão
A presidente da comissão, Clélia Bessa, explicou os motivos da escolha. Para ela, o filme “tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará”.
Vale ressaltar que a seleção pela Academia Brasileira de Cinema não garante automaticamente uma indicação ao Oscar. O longa ainda precisa passar pela avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para integrar a lista oficial de indicados na categoria de Melhor Filme Internacional.