Nem todos confirmados como ilegais
A Iron Security faz uma ressalva importante: a lista indica possíveis operações irregulares, mas não é possível afirmar categoricamente que todos os sites identificados sejam ilegais. O CEO da empresa, Diego Terrani, explicou a metodologia ao Globo.
“Eu não posso dizer que é uma casa fraudulenta ou que as intenções daquele site são maliciosas. Eu só comparo o que a SPA autorizava até sexta-feira com os sites de apostas que surgiram nesse intervalo”, disse Terrani.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Proteção contra páginas clandestinas perdeu força
Diego Terrani também destacou outro agravante. Segundo ele, com a paralisação das empresas autorizadas, os próprios mecanismos que serviam para combater plataformas clandestinas deixaram de funcionar.
“As casas legalizadas usavam os seus recursos para combater as ilegais, porque estavam defendendo as próprias marcas. Quando elas desligam esses sistemas de proteção, abre espaço para qualquer um, de qualquer país, de qualquer origem, criar seus sites e anunciar aqui no Brasil.”
Uma das principais preocupações é que esses sites clandestinos alcancem os apostadores por meio dos mesmos canais que eram utilizados pelas plataformas autorizadas, incluindo anúncios no Google e nas redes da Meta.
“Não surpreende, mas impacta”, diz presidente da ANJL
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, afirmou que o avanço das plataformas irregulares já era um cenário previsto diante da MP.
“Não surpreende, mas impacta. Se o objetivo da medida era impedir a atuação das bets, o efeito concreto foi atingir as empresas legalizadas, que recolhiam impostos, estavam submetidas à fiscalização e eram obrigadas a adotar mecanismos de controle e proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes.”
O que determina a medida provisória
A MP assinada por Lula na sexta-feira proibiu a realização de novas apostas e também vetou a publicidade das empresas que operavam legalmente no país. As plataformas autorizadas poderão permanecer no ar até 5 de outubro exclusivamente para que os usuários realizem o saque de seus saldos. A partir do dia seguinte, está previsto o bloqueio definitivo dos sites.
Setor articula ação no STF
Empresas do segmento já preparam uma ação conjunta no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de suspender a medida provisória. A prioridade imediata é a retomada das operações. Uma eventual cobrança de indenização contra a União ficará para um segundo momento.
Paralelamente, o governo Lula vai se reunir com clubes de futebol para avaliar o impacto do fim das bets no setor esportivo.