Fim do mês aperta: classe C usa crédito até para comprar comida e remédio
Levantamento da Jeitto revela que famílias das classes C e D recorrem ao crédito para cobrir despesas básicas no fim do mês
Por ContraFatos 16/08/2026 Atualizado em 16/08/2026
Lula Foto: Ricardo Stuckert / PR
Estudo revela que o crédito deixou de financiar bens de maior valor e passou a cobrir despesas básicas como supermercado e farmácia
Nos últimos cinco dias de cada mês, as transações financeiras de famílias das classes C e D crescem em média 73%. O dado faz parte de um levantamento realizado pela fintechJeitto, que analisou o padrão de consumo dessa parcela da população e identificou uma mudança significativa no uso do crédito: ele já não serve para financiar compras de maior valor, mas sim para cobrir necessidades básicas quando o salário não chega ao fim do mês.
O ciclo financeiro ao longo do mês
De acordo com a pesquisa, o comportamento de consumo segue um ritmo previsível. Logo após o recebimento do salário, entre os dias 5 e 10, os consumidores priorizam o pagamento de contas fixas — aluguel, energia elétrica, água e mensalidades escolares. Parte da renda também é direcionada para quitar dívidas acumuladas.
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A partir do dia 12, o orçamento começa a apertar. Entre os dias 12 e 25, o volume de transações cai 55% em média, refletindo a redução das compras e o limite de gastos nesse intervalo, que representa o período de maior restrição financeira do mês.
Pix no crédito impulsiona gastos essenciais no fim do mês
Quando se aproxima o encerramento do mês, entre os dias 26 e 30, a situação se inverte. As operações voltam a subir expressivamente — 73% —, desta vez impulsionadas pelo uso do Pix no crédito. As compras se concentram em estabelecimentos como supermercados, farmácias e postos de combustíveis, revelando que o crédito passou a funcionar como uma espécie de renda adicional para cobrir despesas essenciais.
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Valor médio das operações reforça caráter emergencial
O levantamento da Jeitto traz outro indicador relevante: o valor médio dessas operações realizadas no fim do mês é de apenas R$ 265. O montante baixo demonstra que o crédito vem sendo utilizado para pequenas despesas do cotidiano, e não para ampliar o padrão de consumo ou financiar aquisições de maior porte.
Os dados foram coletados a partir de aplicativos de crédito e consumo voltados especificamente a clientes das classes C e D. O cenário evidencia que uma parcela significativa dos brasileiros enfrenta dificuldades para manter o orçamento equilibrado ao longo de todo o mês, recorrendo ao endividamento para garantir itens básicos de sobrevivência, como alimentos e medicamentos.