O trecho considerado mais grave pelos advogados de Flávio foi o seguinte:
“Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem…”, disse.
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Entrar no grupo Defesa aponta lógica deliberada para instigar violência
Na petição encaminhada ao ministro presidente do STF, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro sustenta que a fala presidencial não pode ser classificada como simples metáfora ou retórica inflamada. Os advogados identificam um “silogismo claro” — um encadeamento lógico construído com o objetivo de instigar o público presente e os espectadores que acompanhavam a transmissão ao vivo.
A defesa fez questão de destacar, ainda, uma imprecisão histórica no discurso de Lula: o delator Joaquim Silvério dos Reis, ao contrário do que o presidente afirmou, não foi enforcado. Ele morreu de causas naturais. Quem subiu ao patíbulo foi justamente o delatado, Tiradentes.
Mais de 1.600 ameaças em 24 horas nas redes sociais
Para fundamentar o pedido de abertura de inquérito, a equipe jurídica do senador anexou ao documento um levantamento técnico que mensura o impacto concreto do pronunciamento presidencial, transmitido ao vivo por canais públicos e amplamente replicado em redes sociais.
Os dados revelam números alarmantes:
- Nas 24 horas seguintes ao discurso, a plataforma X (antigo Twitter) registrou mais de 1.600 postagens com ameaças explícitas direcionadas ao senador e seus familiares, com termos como “matar”, “fuzilar” e “esfaquear”.
- Além dessas, foram identificadas mais de 500 publicações contendo ameaças veladas ou celebrações de atos violentos.
Contexto de violência política reforça gravidade, diz defesa
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que o cenário atual de violência política, tanto no Brasil quanto no mundo, amplifica a periculosidade de declarações como as proferidas por Lula. A defesa cita desde o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018 até episódios internacionais recentes para sustentar que falas dessa natureza funcionam como uma “fagulha lançada sobre palha seca”.
O documento foi protocolado junto ao STF e aguarda análise do ministro presidente da Corte.