Considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, ambos os candidatos se encontram tecnicamente empatados dentro do intervalo estatístico do levantamento. Foi exatamente essa diferença de três pontos que serviu de base para a análise apresentada pelo publicitário durante a entrevista.
Já no cenário de segundo turno, a pesquisa apresenta estabilidade em relação à rodada anterior: Lula aparece com 46% e Flávio com 44%. Mais uma vez, dentro da margem de erro, os dois estão em posição equivalente.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Migração de votos como fator decisivo
Na visão de Fischer, o avanço de Flávio Bolsonaro dependeria sobretudo do comportamento dos eleitores que hoje apoiam outros candidatos. Ele mencionou nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, todos posicionados abaixo de Lula e Flávio no cenário discutido no programa.
O publicitário avalia que, à medida que a eleição se aproximar, parte significativa desses eleitores tende a migrar para o senador. “Eu acho que esses 15% como tendência ele deve diminuir e o Flávio deve aumentar a sua participação no primeiro turno”, afirmou, referindo-se à soma aproximada dos percentuais atribuídos aos demais candidatos.
Direita e centro-direita seriam a chave da transferência
O raciocínio de Fischer se apoia na lógica do voto útil. Para ele, eleitores de direita e centro-direita que percebam que seu candidato preferido não tem chance de avançar ao segundo turno acabariam optando por Flávio Bolsonaro para evitar uma vitória da esquerda.
“Quando ele chegar na fila e perceber que o candidato dele realmente não tem chance de ganhar e ele tem um receio de que a esquerda, se ele é de centro-direita e direita, possa ganhar, ele vai desistir e vai votar no Flávio Bolsonaro”, afirmou o publicitário.
A partir dessa hipótese, Fischer projetou que cerca de 70% dos eleitores dos candidatos menores poderiam se transferir para Flávio, mas fez questão de ressaltar que se tratava de uma estimativa pessoal, sem base em dados concretos. “Eu estou aqui em futurologia. Madame Fischer”, brincou durante a conversa.
Possibilidade de liderar, não de vencer no primeiro turno
Fischer também fez uma distinção importante sobre o que significa, na prática, sua projeção. Segundo ele, o senador pode não apenas se aproximar de Lula, como também superá-lo em número de votos no primeiro turno — sem que isso signifique, necessariamente, uma vitória antes do segundo turno.
“Acho que o Flávio tem chance de encostar mais ou sair na frente no primeiro turno”, disse. Em seguida, completou: “O Flávio tem muita chance de ganhar também no primeiro turno, não ganhar a eleição no primeiro turno, sair na frente no primeiro turno”.
Reta final pode transformar o cenário rapidamente
Apesar do otimismo em relação ao desempenho de Flávio Bolsonaro, o próprio Fischer reconhece que os rumos da disputa dependem dos acontecimentos das próximas semanas. Com base em sua experiência em campanhas eleitorais, ele destacou a volatilidade típica da reta final.
“Nesse momento, como nós estamos vivendo, cada dia dessas duas semanas e meia podem significar vários meses”, afirmou, sugerindo que imprevistos e eventos de grande impacto ainda podem alterar significativamente as intenções de voto.