“É que esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer, alto e bom som, são traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, disse Lula na ocasião, fazendo uma confusão, porque Tiradentes foi enforcado, e não o delator.
O presidente ainda prosseguiu em tom agressivo: “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem, porque esse cidadão hoje aparece lá em pé, está dizendo, eu não falei nada, eu não falei nada, todo covarde é assim, fala a merda que fala e por não ter coragem de assumir o que fala, fica tentando mentir”.
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Entrar no grupo Lula também afirmou: “Eu conheço essa gente. Pois bem, eu estou dizendo isso para vocês saberem que a gente está lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu. Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita, eu já enfrentei gente do centro, nunca, nunca, nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022”.
Defesa de Flávio aponta silogismo deliberado e dolo ilícito
Os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que as palavras de Lula não podem ser tratadas como uma simples referência histórica. De acordo com a petição, o presidente construiu um “silogismo deliberado” cuja lógica implícita seria inequívoca: “se traidores devem ser enforcados e o senador é considerado um traidor, logo, ele deveria ser enforcado”.
A peça jurídica detalha que Lula classificou Flávio Bolsonaro como traidor diante de todo o país e, na sequência, relembrou — à sua maneira — um episódio histórico para indicar que, em seu “senso peculiar de justiça”, traidores mereceriam ser enforcados. O senador também destaca que o presidente incitou seu público a refletir sobre “o que merecem os traidores da pátria”.
Pedido de inquérito
Flávio Bolsonaro solicita a instauração de um inquérito para investigar Lula por incitação ao crime e por ameaça. Na visão do senador, a intenção do presidente foi clara e deliberada.
“A intenção do Noticiado com sua fala é evidente: incitar o público a cometer homicídio contra Flávio Bolsonaro, em virtude de sua suposta ‘traição’, e o ameaçar de mal grave e iminente, buscando, talvez, o impedir de continuar sua pré-campanha à Presidência da República. O silogismo da fala é claro e afasta qualquer dúvida sobre o dolo ilícito do Noticiado: (i) traidor deveria ser enforcado; (ii) o Flávio Bolsonaro seria um traidor; (iii) logo, o Noticiante deveria ser enforcado”, argumenta o documento.
Não se trata de metáfora, sustenta o senador
Para Flávio Bolsonaro, as declarações de Lula ultrapassam amplamente os limites do debate político. Conforme a petição, “não se está diante de mera metáfora histórica despretensiosa, tampouco de simples retórica inflamada própria do debate político. O discurso revela encadeamento lógico inequívoco e cuidadosamente construído para conduzir milhões de brasileiros à conclusão deliberadamente almejada pelo Noticiado”.
Esta é a segunda iniciativa do senador no STF contra Lula sobre o mesmo tema. Flávio já havia protocolado anteriormente uma notícia-crime contra o petista por supostamente ter instigado pessoas a cometerem o crime de homicídio por enforcamento contra ele. A nova petição vem para reforçar as acusações e apresentar argumentos adicionais de que a conduta presidencial configura, sim, ilícito penal — e não mera retórica.