Sem citar nominalmente os veículos, o ministro reproduziu expressões que teriam sido utilizadas nos textos. Entre elas, destacou: “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”.
Declaração do ministro nas redes sociais
“Um aspecto em algumas ‘críticas’ a mim endereçadas em jornais, desde que cheguei ao STF, chama muito a minha atenção: o ódio à minha procedência regional”, escreveu Dino na publicação. Para o magistrado, menções à sua origem maranhense configurariam um “indisfarçável preconceito regional, de matriz racista“.
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Entrar no grupo Quais veículos e colunistas criticaram Dino
A expressão “oratória grandiloquente de província” foi utilizada em editorial do jornal O Globo, publicado na quinta-feira, 17. O texto comentava a sessão do STF que debateu a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o editorial, Dino e Gilmar Mendes teriam adotado esse tipo de postura durante os debates.
Na Folha de S.Paulo, o professor de Direito Constitucional Conrado Mendes publicou coluna na quarta-feira, 16, na qual avaliou que a participação de Dino na mesma sessão teve “pitadas de agressão a Fachin e citações de algibeira”.
Dois dias depois, o jornalista Mario Sergio Conti, também na Folha, contestou uma referência feita pelo ministro a Aristóteles. Na sessão, Dino havia associado o filósofo grego ao uso da ironia. Conti escreveu que o ministro “quis dar uma de sabido”.
Análise filosófica das citações
O filósofo Luiz Felipe Pondé analisou, em vídeo veiculado pela Folha de S.Paulo, cinco referências feitas por Dino a Aristóteles. Pondé considerou algumas delas coerentes, porém apontou imprecisão na associação entre ironia e descontração que o ministro havia estabelecido durante a sessão.
A Revista Oeste também publicou, na sexta-feira, 18, críticas às referências intelectuais utilizadas pelo ministro em sua argumentação no STF.
Contexto da polêmica
A controvérsia ganhou força após a sessão plenária de terça-feira, 15, quando o STF discutiu a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes. O posicionamento de Dino naquela ocasião — marcado pelo uso de citações filosóficas e tom enfático — tornou-se alvo de questionamentos de diferentes espectros da imprensa.
O ministro, que é natural do Maranhão, defende tanto sua formação acadêmica quanto a pertinência das referências empregadas em seus votos. Ao invocar o argumento do preconceito regional, Dino buscou deslegitimar as críticas como manifestações de discriminação, e não como avaliações de mérito sobre sua atuação jurisdicional.