Um dos trechos mais relevantes data de 22 de janeiro de 2025, cerca de um mês após uma reunião entre Vorcaro e Lula no Palácio do Planalto. Nessa mensagem, Warde escreveu ao ex-banqueiro: “Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”. Vorcaro respondeu com um emoji de coração.
A existência dessa troca de mensagens foi inicialmente revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN junto a fontes com acesso aos dados do celular do ex-banqueiro.
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Entrar no grupo Defesa de Flávio aponta suspeita de contrapartida presidencial
Na petição apresentada ao STF, os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que o suposto recebimento do presente — um uísque — pode configurar vantagem indevida. Eles pedem que seja apurado se houve alguma contrapartida por parte de Lula em favor de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.
Os representantes legais do senador também levantam a suspeita de que o presidente teria utilizado o cargo para beneficiar interesses privados do ex-banqueiro e de sua instituição financeira.
“Que a apuração se faça, não para condenar antecipadamente, mas para que a República não se acostume a ser governada nos bastidores, à base de whisky e fora da agenda oficial”, escreveram os advogados no documento.
Governo nega presente e diz que contato foi único
Em nota enviada à CNN, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) rebateu as alegações. Segundo o governo, Lula não recebeu presente de Vorcaro, desconhece a suposta articulação conduzida por Warde e não manteve outros contatos com o ex-banqueiro além de um único encontro ocorrido em dezembro de 2024.
Conforme a nota oficial, naquela ocasião, o presidente orientou que eventuais denúncias fossem analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
Íntegra da nota da Secom
“Conforme já amplamente noticiado, o presidente Lula encontrou-se uma única vez com Daniel Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. Vorcaro havia ido ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e o encontro com o presidente não estava previamente agendado. Da conversa também participaram o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e atual presidente do Banco Central.”
“Na ocasião, Vorcaro afirmou sentir-se alvo de perseguições, e o presidente respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.”
“Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro.”
“O presidente não tem conhecimento da suposta articulação, não recebeu presente e tampouco enviou recado ou comentou festas promovidas pelo banqueiro.”
“Cabe lembrar ainda que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição.”