Nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) pertencem ao campo antipetista e, caso tenham a oportunidade, buscarão desgastar o governo nos confrontos televisivos.
Ala do partido quer que Lula enfrente Flávio Bolsonaro
Há, contudo, outro grupo dentro do partido com visão oposta. Para esses integrantes, a presença do presidente nos encontros é fundamental para não desperdiçar chances de confronto direto com Flávio Bolsonaro, considerado o principal rival na corrida eleitoral.
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Entrar no grupo Quem tem presença obrigatória nos debates
De acordo com a legislação vigente, as emissoras de televisão são obrigadas a convidar apenas os candidatos cujos partidos possuam mais de cinco representantes no Congresso Nacional. Além de Lula e do pré-candidato do PL, somente Caiado e Augusto Cury (Avante) preenchem esse critério.
O Supremo Tribunal Federal decidiu no ano passado que o cálculo de representatividade deve ter como base o resultado da eleição de 2022, desconsiderando as trocas de legenda ocorridas posteriormente.
Ausência de Lula pode beneficiar Flávio Bolsonaro
Existe uma avaliação no entorno do presidente de que, caso Lula não compareça, Flávio Bolsonaro também pode optar por faltar aos debates. Isso permitiria ao senador evitar questionamentos sobre o escândalo envolvendo o Banco Master.
Em maio, veio a público um áudio no qual Flávio Bolsonaro solicita dinheiro ao antigo dono do banco, Daniel Vorcaro, para finalizar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Justamente por isso, um dos eixos da estratégia eleitoral petista consiste em ampliar a rejeição ao adversário utilizando o caso Master e os efeitos do tarifaço imposto pelo governo americano contra produtos brasileiros.
Debate da Band e lançamento da candidatura em jogo
A dúvida mais urgente recai sobre o debate da Band, tradicionalmente o primeiro do calendário eleitoral, agendado para 16 de agosto. O problema é que Lula pretende realizar, nessa mesma data, o ato de lançamento oficial de sua candidatura no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
A participação em ambos os eventos pode se tornar inviável, já que debates televisionados exigem preparação prévia dos candidatos junto às suas equipes de comunicação. Aliados cogitam adiar o evento político para viabilizar a presença no debate, mas a direção do partido trabalha para manter a agenda do dia 16 inalterada.
Estratégia não é inédita entre presidentes candidatos à reeleição
A ausência de presidentes em debates durante campanhas pela reeleição tem precedentes. O próprio Lula, ao final de seu primeiro mandato, em 2006, optou por não participar dos encontros do primeiro turno, amparado pela ampla vantagem que detinha sobre o segundo colocado — o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Antes dele, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) adotou a mesma estratégia em 1998.
Pesquisas mostram Lula na liderança
Lula segue na frente das pesquisas eleitorais. Levantamento da Quaest, divulgado na quarta-feira (15), aponta o petista com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 28% de Flávio Bolsonaro. Em cenário de segundo turno, o presidente aparece com 45% contra 37% do provável adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais.