Fux alerta que interferência do STF em temas políticos desgasta imagem do Judiciário
Fux defende que o STF evite decisões políticas e preserve o protagonismo do Congresso Nacio
Por ContraFatos 29/10/2025 Atualizado em 29/10/2025
| Foto: Gustavo Moreno/STF/Flickr
Ministro propõe que Supremo adote postura de autocontenção e devolva ao Congresso debates de natureza política
Durante o fórum “O Otimista Brasil”, realizado em Brasília (DF) nesta quarta-feira, 29, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um apelo para que a Corte adote uma conduta de “decidir não decidir” em assuntos que, segundo ele, são próprios do Congresso Nacional. O magistrado afirmou que o ativismo judicial em pautas políticas tem gerado “níveis alarmantes de insatisfação e desprestígio” ao Poder Judiciário.
Ao abordar os limites da atuação do Supremo, Fux destacou que o Parlamento é o espaço legítimo da representação popular e deve assumir a responsabilidade por definir temas sensíveis, como a descriminalização do aborto e as regras do Código Florestal — ambos já analisados pelo STF em diferentes momentos.
Leitura
“STF precisa ter deferência ao Parlamento”, diz Fux
Para o ministro, o Legislativo é a instância máxima de decisão popular em um Estado Democrático de Direito. Ele enfatizou que o princípio da presunção de constitucionalidade das leis existe justamente porque o Parlamento expressa a vontade do povo. “Devemos ter deferência ao Parlamento”, afirmou.
Juiz não pode agir com viés político, defende ministro
Fux também comentou sobre a importância da imparcialidade judicial, citando sua antiga proximidade com o ex-governador Leonel Brizola. “Costumo dizer que, de direita, só a mão com que escrevo”, declarou, ressaltando que um magistrado não deve atuar com “viés político” ao proferir decisões.
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Fux votou pela absolvição de Bolsonaro em processo sobre tentativa de golpe
Em setembro, Fux foi o único ministro da 1ª Turma do STF a votar pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro e da maioria dos acusados no processo referente à tentativa de golpe de Estado. Seu voto também foi decisivo para revogar uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que havia autorizado enfermeiros a realizarem abortos em determinadas circunstâncias.