Na decisão proferida na semana passada, o ministro escreveu: “Considerando o decurso de extenso prazo desde o trânsito em julgado da demanda em 11. 4. 2023; bem como o pleito defensivo de informações sobre o andamento da entrega do extraditando, oficie-se ao Ministério da Justiça para que, no prazo de 10 dias (dez dias), preste informações acerca do andamento da entrega ao Governo da Rússia”.
Histórico judicial e expulsão do Brasil
Em 2023, o STF havia autorizado a entrega voluntária de Cherkasov à Rússia, atendendo a um pedido feito pelo próprio detido. No entanto, a Corte condicionou a transferência ao cumprimento, em território brasileiro, da pena por falsidade ideológica — inicialmente fixada em 15 anos e posteriormente reduzida para cinco.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Já em julho deste ano, o Ministério da Justiça determinou a expulsão do russo do Brasil, com a proibição de retorno ao país pelo período de 30 anos.
Quem é Sergey Cherkasov e como foi descoberto
Sergey Cherkasov foi preso no Brasil em abril de 2022. A detenção ocorreu após ele ter sido impedido de ingressar na Holanda com documentação falsa. O russo operava sob a identidade de Victor Muller Ferreira, apresentando-se como um suposto estudante brasileiro de relações internacionais nos Estados Unidos.
De acordo com investigações conduzidas pelo FBI e pela Polícia Federal (PF), Cherkasov era um agente de inteligência russo que utilizou uma identidade brasileira falsa durante 12 anos para atuar no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Apesar disso, não foram encontradas evidências de que ele tenha praticado espionagem contra o Brasil.
Pedido de extradição dos EUA e ligações com a espionagem russa
Logo após a prisão, os Estados Unidos solicitaram a extradição de Cherkasov. Washington classificou o agente como integrante de um grupo de elite da espionagem russa, que se valia da identidade brasileira para se infiltrar em instituições e obter informações estratégicas do governo americano.
Antes de ser desmascarado, o russo chegou perto de ser contratado como estagiário no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Nessa posição, ele teria acesso privilegiado a informações sobre investigações de crimes de guerra atribuídos ao Kremlin.
Brasil como “fábrica de espiões”
O caso teve repercussão internacional. Após a detenção de Cherkasov, o jornal americano The New York Times publicou uma investigação revelando que o governo de Vladimir Putin utilizou o Brasil como uma “fábrica de espiões”, aproveitando identidades brasileiras para encobrir operações de inteligência pelo mundo.