Para se ter ideia da gravidade do cenário, em 2020, quando a pandemia paralisou a economia global, o país fechou mais de 1 milhão de vagas formais nos seis primeiros meses do ano. Desde então, nenhum primeiro semestre havia registrado desempenho tão fraco.
Resultado de junho também decepciona
Isoladamente, o mês de junho apresentou saldo de 145.160 vagas com carteira assinada, fruto de 2,22 milhões de admissões contra 2,07 milhões de desligamentos. O número ficou 10,4% abaixo do registrado em junho de 2025, quando cerca de 162 mil postos foram criados. Trata-se do pior resultado para meses de junho em seis anos.
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Entrar no grupo Estoque de trabalhadores formais segue em alta
Apesar da desaceleração na criação de novas vagas, o estoque total de empregos formais no país manteve trajetória ascendente. No encerramento de junho, o Brasil contava com 48,03 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O volume supera os 47,88 milhões de maio e os 47,07 milhões contabilizados em junho do ano passado.
Governo aponta juros e tensões externas como fatores
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu parte do resultado à política monetária restritiva e às tensões no comércio internacional. Na avaliação do governo, o cenário de juros elevados e as incertezas externas pressionaram a atividade econômica e frearam a abertura de novas vagas.
Vale destacar que o Banco Central reduziu a taxa Selic nas três últimas reuniões, mas o patamar permanece em 14,25% ao ano — nível considerado elevado e que, segundo analistas, continua a pesar sobre decisões de investimento e contratação por parte das empresas.
Mudança metodológica dificulta comparações
O governo ressalta que comparações diretas com períodos anteriores devem ser feitas com cautela. Isso porque houve alteração na metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o que pode afetar a equivalência dos dados ao longo do tempo.