Opinião sobre Lula e a possibilidade de um quarto mandato
Questionado sobre a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputar um quarto mandato nas eleições de outubro, Gilberto Gil não escondeu certo desânimo com a falta de renovação na cena política brasileira. “Vemos muitos dos mesmos nomes, os mesmos conceitos. Não há opção para nada diferente”, declarou o artista.
Segundo a reportagem, Gil mantém encontros com Lula para discutir os rumos da política nacional, reforçando seu vínculo histórico com o campo progressista.
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Entrar no grupo Do palco para multidões aos shows intimistas
A longa entrevista ao veículo britânico também abordou a fase atual da carreira do músico baiano. Gil reconheceu que a era dos grandes shows em estádios já ficou para trás, mas descartou qualquer intenção de aposentadoria. “Enquanto eu puder me apresentar para públicos menores, acho que não consigo parar”, disse o artista, que já tem uma apresentação agendada em Londres para julho.
A reportagem percorre toda a trajetória de Gil, desde o início como aprendiz na Unilever, passando pelo período à frente do Ministério da Cultura até os dias de hoje.
Tropicália, o AI-5 e a prisão que marcou uma geração
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi a recordação do lançamento do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, que coincidiu com a instauração do AI-5 pelo regime militar — o ato que inaugurou a fase mais violenta e repressiva da ditadura brasileira.
Gil contou que ele e seus companheiros de movimento — Caetano Veloso, Os Mutantes e Tom Zé — tinham consciência dos riscos que corriam. “Sabíamos que poderíamos ser perseguidos, porque o regime era muito duro e se opunha à liberdade que desejávamos”, relembrou. No entanto, a intensidade da repressão que veio a seguir os pegou de surpresa.
“Tínhamos que esperar uma reação deles, mas não imaginávamos que seria tão forte.”
Dois meses de prisão e confinamento solitário
A reportagem destaca que Gil e Caetano Veloso foram detidos pelos militares e permaneceram presos por dois meses, parte do tempo em regime de confinamento solitário. O cantor, porém, faz questão de esclarecer que nunca houve intenção de se tornarem ativistas políticos — o desejo era simplesmente fazer arte e se divertir.
“Fomos forçados a nos envolver na política, ela nos encontrou. Tivemos que lutar contra a ditadura, tivemos que lutar para restabelecer a democracia”, declarou Gilberto Gil.