Monitoramento sem inquérito
De acordo com um despacho sigiloso assinado por Gilmar Mendes, a Polícia Civil de Pernambuco teria realizado um “monitoramento indevido” entre agosto e outubro de 2025. As ações descritas incluem seguimentos, registros fotográficos e a instalação de um rastreador no veículo utilizado pelo secretário, tudo isso sem a abertura formal de inquérito policial.
A existência do caso veio a público após reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record.
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Entrar no grupo Suspensão das apurações e crítica ao Ministério Público
Além de acionar a Polícia Federal, Gilmar Mendes determinou que o Ministério Público de Pernambuco interrompa qualquer apuração relacionada aos secretários. Para o ministro, houve “desvio de finalidade” e violação ao princípio da neutralidade do Estado.
O despacho registra ainda que outras três secretárias municipais relataram episódios semelhantes e assinaram uma manifestação conjunta encaminhada ao STF.
“Fishing expedition” e rastreamento político
Na decisão, Gilmar Mendes afirma que não houve investigação direcionada ou devidamente fundamentada. Segundo ele, ocorreu uma coleta ampla e genérica de informações, caracterizada como “fishing expedition”.
“Não se trata, aqui, de apuração dirigida e fundamentada, mas de requisição massiva e horizontal de dados que, por sua abrangência e falta de delimitação, evidencia a prática típica, como dito, de ‘fishing expedition’”, escreveu o ministro.
O despacho também aponta indícios de ações voltadas ao rastreamento e ao reconhecimento facial de integrantes do entorno político de João Campos, com foco especial no secretário e em seus familiares.
Gilmar solicitou que a Polícia Federal avalie se existem “elementos mínimos que indiquem a possível prática de infrações penais”.
Versões da Polícia Civil e reação da prefeitura
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que a operação, batizada de “Nova Missão”, foi iniciada após uma denúncia anônima sobre suposto pagamento de propina. Segundo a corporação, nenhuma prova foi encontrada e, por isso, não houve abertura de inquérito.
Já a Prefeitura do Recife classificou a atuação como “ilegal, inconstitucional e imoral”. A administração municipal acusou o governo estadual de uso político da polícia, em meio à disputa eleitoral entre João Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD).